Técnica mostra novos resultados 18 anos depois
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Quase 20 anos depois, uma técnica inventada pelo cirurgião cardíaco Francisco Gregori Júnior, de Londrina, para remodelação da válvula mitral, mostra novos e melhores resultados que o esperado.
De 100 crianças que passaram pelo procedimento de reconstrução da válvula mitral com um anel semicircular, inventado por ele, 88% estão vivas e com a própria válvula. E o melhor sem que tivessem que passar por outra cirurgia nesse período.
O fato curioso é que 18 anos depois, essas crianças obviamente cresceram, mas o anel também cresceu. Exames de ecocardiograma confirmaram que as válvulas não estavam apertadas, apesar do crescimento das crianças. Chamado de Gregori-Braile, o anel é feito de aço médico inox e revestido de borracha de silicone e um tecido atrombogênico (veludo de Dacron).
Gregori explica que quando uma doença atinge o funcionamento normal das válvulas, elas precisam ser substituídas ou reconstruídas. As válvulas funcionam como uma porta que se abrem e fecham permitindo o bombeamento de sangue pelo coração. Elas podem ter problemas de não fechar direito, de ficarem apertadas ou os dois (dupla-lesão). Doenças como febre reumática, degenerativas, cardiopatia congênita e miocardiopatia podem prejudicar o funcionamento das válvulas.
Em um indivíduo com funcionamento normal da válvula mitral, o sangue oxigenado chega ao átrio esquerdo, vindo do pulmão, e é bombeado para o resto do corpo. Quando a válvula não funciona direito, parte do sangue volta para trás, dilatando o coração. E chega um momento em que o pulmão também estará cheio de sangue. O problema irá causar dificuldade também para esvaziar o lado direito do coração por conta do pulmão cheio de sangue. O sangue acumula no pulmão e dificulta a oxigenação, aí a criança tem falta de ar, explica Gregori, ressaltando que uma criança com esse problema não tem vida normal, não consegue brincar ou estudar direito.
Ele explica que é preciso fazer uma intervenção o mais rápido possível. Até quando o paciente tem pouquíssimos sintomas, quanto mais cedo se arrumar a válvula, maior a chance de reconstrução, ressalta. Em 100% dos casos que o paciente tem insuficiência da válvula mitral, o coração dilata.
São duas as opções para substituição de válvula, a metálica e a biológica, mas hoje, a reconstrução é melhor indicada, pelas vantagens que oferece. A válvula metálica aumenta os riscos de uma trombose, que pode matar o paciente ou deixar seqüelas como a paralisia de um dos lados do corpo ou perda de funções cognitivas.
Já a biológica, feita da válvula do coração do porco, tem menor rejeição pelo organismo, mas tem validade baixa porque propicia calcificação. Por isso precisa ser trocada a cada sete ou oito anos. Uma prótese biológica na posição mitral quando dura 10 anos é de se festejar. O melhor é conservar a válvula do paciente do que ficar trocan-do, aponta Gregori. A probabilidade estatística em pacientes que fazem a reconstrução da válvula, apontada em estudos, é de 98% dos pacientes vivos após cinco anos.


