Técnica ganhou público com 'Cinematerapia para a Alma'
Existem três maneiras de se utilizar um filme como recurso em consultório, explica a psicóloga. ''Há três níveis que podem ser trabalhados com os filmes. Um deles é focando na reação que cada pessoa tem a determinado filme, o que pode ser uma janela para o inconsciente. Outra possibilidade é apresentar filmes que de algum modo possam ser exemplos para a pessoa, seja literalmente ou por meio de metáforas. A terceira opção é explorar o lado catártico, que ajuda na liberação de emoções reprimidas'', afirma a psicóloga.
Além disso, a técnica ganhou o público e as livrarias com o lançamento do livro ''Cinematerapia para a Alma - Um Guia de Filmes para Todos os Momentos da Vida'' (Editora Verus, 224 págs.), das americanas Nancy Peske e Beverly West. Elaborado como um guia, o livro lista vários filmes, relacionando-os com os momentos para os quais eles seriam mais apropriados. O livro é uma simplificação da técnica usada pela maioria dos psicólogos, que realçam que filmes podem ser bastante úteis, mas sozinhos não resolvem qualquer problema.
Na escolha do repertório, as autoras e os psicólogos parecem estar mais de acordo. Dentro de um leque bem amplo de opções, as grandes produções, principalmente as hollywoodianas, são as mais indicadas. Para o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, professor do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os filmes de entretenimento podem ser mais úteis para esses fins.
''Mesmo o filme mais simples apresenta situações do drama humano. No cinema de entretenimento, as pessoas se identificam com as situações. Nesse sentido, Hollywood foi mestre em industrializar esse resultado'', diz. ''No filme de entretenimento, a pessoa vai desarmada, distraída, aí o lado de identificação pega mais. Já quando a pessoa assiste a um filme pensando em outro nível, reparando na linguagem, na atuação, na direção, no conteúdo, enfim, com um olhar mais analítico, essa situação não tem tanta função psicoterápica'', explica o psicólogo.
Já a principal explicação para escolher um filme como recurso, e não um livro ou uma peça de teatro, é bem pragmática. ''Percebemos que o cinema tem um alcance muito maior. É mais acessível para as pessoas. Precisa de menos tempo para ser visto e a pessoa se solta mais, pelo caráter de entretenimento'', conta Birgit.(S.I./A.E.)





