A técnica experimental que conseguiu curar a diabete de 15 pacientes no Canadá está cada vez mais próxima do Brasil. Ontem à noite seria anunciado, durante simpósio internacional, que está pronto o laboratório onde cientistas brasileiros farão o isolamento de ilhotas do pâncreas, as células responsáveis pela produção de insulina. O grupo agora começa a selecionar voluntários para se submeterem aos transplantes de ilhotas de Langerhans, que devem ser feitos no início de 2002. Também acaba de ser fechado um acordo com o Hospital Albert Einstein, que dará a estrutura para a sua realização.
O cientista Jonathan Lakey, da Universidade de Alberta, no Canadá, chefe da equipe que realizou o primeiro transplante desse tipo no ano passado, está no Brasil e participa do simpósio que discute sobre o aprimoramento da técnica no País.
O transplante consiste em transferir para o paciente, por meio de uma injeção, novas ilhotas produtoras de insulina, que são retiradas do pâncreas de um cadáver. Isso é necessário porque o organismo dos diabéticos tipo 1 destrói totalmente essas ilhotas. O procedimento exige apenas uma noite de internação, mas pode custar cerca de R$ 100 mil. Segundo Eliaschewitz, isso ocorre porque o transplante exige um rígido controle de laboratório e alta tecnologia para dosar as drogas contra rejeição. O acordo com o Eisntein deve pagar pelo menos metade da quantia e o restante está sendo negociado.
O único problema é que, ao se submeter à cirurgia, o paciente precisa passar a tomar drogas imunossupressoras contra a rejeição das novas estruturas, assim como ocorre em qualquer transplante. Por causa disso, o grupo de especialistas vai selecionar com muito cuidado os voluntários.
‘‘A diabete precisa estar sendo uma ameaça imediata à vida da pessoa’’, explica o endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz. ‘‘Só assim se justifica fazer o paciente deixar de tomar insulina para tomar drogas contra a rejeição, que aumentam o risco de infecções e de câncer.’’ Podem ser voluntários do experimento diabéticos que sofrem de crises de hipoglicemia graves e não têm os sintomas que servem de alerta para que o indivíduo procure por açúcar.
Os médicos de pacientes que estiverem dentro dessas condições e quiserem se submeter à técnica no Brasil podem obter informações pelo telefone é (11) 3661-8351. Os casos serão analisados pelo grupo de endocrinologistas e nove pessoas serão escolhidas para fazer o transplante gratuitamente.

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