Técnica e improviso para alegrar crianças
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de fevereiro de 2011
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Eles não são profissionais da área, mas aprenderam a aliar saúde, psicologia e arte pra levar alegria com qualidade e responsabilidade às crianças internadas. Preparados para lidar com as situações mais inesperadas num ambiente onde a dor e sofrimento são sentimentos comuns, os palhaços do Plantão Sorriso vivem de cara com o improviso. Mais que atores, eles são capacitados para frequentar hospitais e vivem em constante treinamentos para manter em dia a boa realização do trabalho.
Criado há 15 anos, o grupo conta hoje com oito atores que visitam semanalmente a pediatria de hospitais de Londrina e região. Antes de iniciar o trabalho, o palhaço iniciante passa por um tempo de observação e só depois de treinamentos específicos é que dá início às atividades.
Um dos pontos fundamentais é garantir a higiene pessoal e da criança. Uma das fundadoras do grupo, Emília Miazaki ressalta que o preparo para o primeiro acesso ao ambiente hospitalar é fundamental. Trabalhamos com o improviso e precisamos saber a hora certa de atuar. Momentos em que enfermeiros estão fazendo procedimentos ou se há alguma criança em situações mais delicadas, temos que estar prontos para saber agir, diz.
A coordenadora artística do grupo, Simone Andrade, a famosa doutora Alpha Balinha, está há 13 anos no Plantão Sorriso e lembra que as situações são inúmeras e reúnem desde momentos prazerosos até aqueles em que os atores precisam improvisar. Quando chegamos no hospital já fazemos uma higiene, lavamos muito bem as mãos. Não tocamos na criança nem em objetos. O palhaço está pronto pra levar alegria, não bactéria, comenta sorrindo.
Ala de Queimados
Semanalmente o grupo passa por treinamento com especialistas da área da saúde sobre os mais variados assuntos. Além disso, o apoio de uma psicóloga é constante no grupo. Durante a epidemia do vírus H1N1 (Gripe A), os palhaços adiaram algumas visitas. O cuidado com a higiene é constante. Se há crianças em situação de isolamento, fazemos com que ela nos veja pela janelinha, pela fresta da porta, mas não deixamos de fazê-la sorrir, diz.
A Ala de Queimados do Hospital Universitário (HU) de Londrina, por exemplo, tem servido de grande aprendizado para melhorar ainda mais o trabalho do grupo. Por se tratar de uma área de risco grande de contaminação, os palhaços precisam usar a criatividade constantemente para atuar dentro das normas. Colocamos as roupas do hospital por cima da roupa de palhaço e falamos para as crianças que estamos indo pra lua porque é uma roupa de astronauta. Independentemente das circunstâncias, o palhaço não pode ser derrubado. É pra isso que treinamos muito e nos preparamos, para ver as crianças mais felizes num lugar onde a alegria é difícil de chegar, finaliza.


