Curitiba- Inventar coquetéis e drinks, atrair clientes com simpatia e habilidade especial em manusear copos, garrafas e em realizar verdadeiros malabarismos e performances na confecção das bebidas. Quando se fala em barman, são essas as características da profissão que vêm à cabeça. Tirando a visão cinematográfica da profissão, ser barman exige muito mais conhecimentos: saber misturar diferentes bebidas e ingredientes, conhecer vinhos, ter noções de administração e dominar outros idiomas.
Com 26 anos na profissão, Vilton Carlos Vilz, de 42 anos, conhece bem essa realidade. ''É preciso ler sobre o assunto, estudar, se especializar, fazer cursos sobre vinhos, saber o máximo'', diz. Todo esse esforço lhe valeu, no último final de semana, o título de ''campeão dos campeões'' no 22º Campeonato Paranaense de Coquetelaria, realizado em Curitiba.
Além de Vilz, que competiu com os vencedores de campeonatos paranaenses dos últimos anos, entre aproximadamente 45 participantes, outros oito foram classificados para o Campeonato Brasileiro de Coquetelaria, que ocorre em setembro, em Campos do Jordão (SP). Lá, barmen de todo País disputarão cinco vagas para o congresso nacional, que acontece na Grécia, em novembro.
Segundo o presidente da Associação Paranaense de Barman, Sergio Bento, desde a criação da associação, em 1984, o Paraná já conquistou oito campeonatos nacionais. ''Os participantes têm que demonstrar técnica e habilidade no manuseio dos utensílios, precisão nas medidas das bebidas. Também é importante a postura e simpatia do barman'', afirma.
No campeonato paranaense deste ano, Rodrigo da Silva Santos, que hoje trabalha como autônomo, foi o primeiro colocado. Na competição, ele teve que apresentar um ''short drink pré-dinner'', ou seja, uma bebida mais seca para ser consumida antes do jantar.
''Eu gosto de criar. Tenho um arquivo pessoal de mais de 30 drinques, mas prefiro fazer os long drinks, mais tropicais, que usam frutas e sucos'', diz. Em geral, conta, o barman cria um drink especial para cada casa onde trabalha. ''É uma honra chegar depois em um lugar e ver que o coquetel que você criou continua no cardápio'',
Vilz tem ainda mais experiência. Hoje ele trabalha como gerente de bebidas da Grimpa Steak House, uma churrascaria sofisticada de Curitiba, mas já atuou na Itália e Espanha, onde fazia drinks tropicais e caipirinhas com vários tipos de frutas para os europeus. Ele ressalta, no entanto, que participar de campeonatos, estudar e fazer cursos deve ser uma prática constante na vida do barman, de forma a valorizar seu currículo e obter um salário maior.
Uma das reclamações dos barmen refere-se justamente ao não reconhecimento do trabalho. ''As pessoas reconhecem que o trabalho é bom, mas não querem pagar o que ele vale'', reclama Santos. Em média, segundo ele, um barman ganha R$ 800 a R$ 1 mil, e, quando chega a cargos de gerência entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, incluindo comissões.

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