Agência Estado
Do Rio
A engenheira química inglesa Karen Purnell, contratada pela Petrobras para assessorar na limpeza do óleo que vazou na Baía de Guanabara, defendeu ontem que sejam interrompidos os trabalhos de retirada do combustível dos manguezais. Segundo a especialista, só o fato de caminhar sobre a região atingida ajuda a misturar o óleo ao solo, em vez de livrá-lo da poluição. ‘‘A limpeza pode agravar os danos’’, afirmou.
O gerente do Departamento de Manguezais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do RJ, o biólogo Mário Moscatelli, discorda deste método. ‘‘Não dá para ficar dependendo da mão da mãe natureza para desfazer os erros da Petrobras’’, afirmou. Ele disse que vai avaliar como cada área foi afetada antes de definir o melhor método de limpeza. ‘‘Se o óleo ficar ali, os caranguejos não voltarão, as plantas terão má-formação e haverá pouca produção de sementes’’, disse o biólogo.
Karen acredita que os manguezais precisarão de ‘‘um ano ou mais’’ para se livrar do óleo. Moscatelli calcula que o ecossistema precisará de cerca 10 anos para se recuperar. ‘‘Isso depende de como cada área foi atingida; mas não se avalia isso num sobrevôo de helicóptero’’, afirmou o biólogo, referindo-se à visita da inglesa.
A engenheira garantiu que os peixes da baía não foram contaminados pelo combustível, concentrado na superfície. ‘‘Os peixes não são estúpidos e nadam em busca de águas mais limpas’’, disse Karen, acrescentando que eles podem estar com ‘‘gosto de óleo’’. E ironizou: ‘‘Os churrascos que vocês comem em casa têm mais óleo que os peixes da baía’’.
Karen não quis avaliar as proporções do derramamento ocorrido na baía, apesar de trabalhar em uma empresa especializada em vazamentos, fundada pelos donos dos maiores navios do mundo, a International Tanker Owners Pollution Federation. ‘‘Cada vazamento é um caso único e não há como comparar’’, disse a engenheira. ‘‘Não é só a quantidade de óleo que influi, mas o tipo de ecossistema que ele atinge. ‘‘Ela elogiou o trabalho de coleta de óleo pela estatal.

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