Leandro TaquesSarkeis usa spray e isqueiro para fazer chama e secar a tinta dos desenhosNaves espaciais iluminam planetas alinhados na mesma órbita. Cores e sombras se fundem para dar um efeito quase surrealista. As pirâmides incluídas nos grafites fariam um crítico exagerado dizer que Salvador Dali está vivo e entrou na chamada Era de Aquário. ‘‘Eu só me preocupo em passar uma energia positiva para quem se interessa pela minha obra’’, esclarece o artista plástico paranaense Élcio Sarkeis, 38 anos, ex-escultor que ganha a vida como grafiteiro.
Há cinco anos, Sarkeis abandonou a escultura por uma razão (mercado)lógica. ‘‘O grafite dá um retorno imediato de público e de renda’’, explica o artista plástico, enquanto aplica sucessivos jatos de esmalte sintético sobre o papel-cartão. Ele chega a vender até 20 pinturas por dia, nunca por menos de R$ 15,00 cada uma. ‘‘Jamais me ofendo com a classificação de ‘trabalho comercial’ porque viver de arte é um privilégio e não vergonha para mim’’, observa o grafiteiro.
Os livros místicos de Paulo Coelho e as músicas de Ravi Shankar, ídolo dos hippies dos anos 70, são referências obrigatórias e influências assumidas por Sarkeis. ‘‘Essas obras evocam meditação e harmonia, o que sempre fez parte da minha rotina, inclusive junto com minha mulher e minha filha de 12 anos’’, diz o artista new age. Inspirado, o grafiteiro utiliza moldes, jornais velhos, palitos e tampas de latas de tinta para mostrar sua arte depois de a chuva abrandar na Rua XV.
Artista clandestino, Sarkeis ainda espera pela licença para trabalhar com tranquilidade no Calçadão. ‘‘A falta de autorização não me constrange, o importante é haver respeito à arte de rua’’, pondera o grafiteiro. O respeito, garante ele, foi fundamental para seu trabalho emplacar em muitos pontos do Brasil. ‘‘Meu amigo, já cheguei a grafitar uma área de 50 metros quadrados em volta de uma piscina em Macapá, a capital do Amapᒒ, recorda. Se tiver chance, outros espaços hão de receber seu spray exotérico. (D.J.)

mockup