Técnica aumenta chance de cura de câncer de pulmão
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segunda-feira, 07 de julho de 2003
Clarissa Thomé<br> Agência Estado 
Rio - Com uma nova técnica de quimioterapia médicos do Instituto Nacional de Câncer (Inca) conseguiram reduzir o tamanho de tumores no pulmão e aumentar as chances de cura do paciente depois da cirurgia. Dos 30 pacientes submetidos ao tratamento, houve redução do volume do tumor à metade em 77% dos casos. O trabalho foi um dos selecionados para ser apresentado na 10 Conferência Mundial de Câncer de Pulmão, no Canadá, a partir de 10 de agosto.
Os pacientes fizeram quimioterapia antes da cirurgia e foram tratados com três drogas platina, gemcitabina e navelbine , ministradas em duplas, alternadamente, durante nove semanas. O terapia convencional é com duas drogas.
''Dois terços dos pacientes operados de câncer de pulmão não se curam com o tratamento convencional. A quimioterapia antes da cirurgia provocou reduções importantes no tumor. E a forma como os pacientes reagiram ao tratamento nos permitiu perceber se ficariam curados com a cirurgia'', afirmou o chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Inca, Renato Martins.
Os pacientes submetidos ao novo tratamento tinham tumores com cerca de 7,5 centímetros e idade média de 56 anos. Dos 30, 23 responderam positivamente à técnica estudada e foram operados. Dois tiveram complicações químicas e em cinco casos o mediastino continuava comprometido, o que contra-indicava a cirurgia. Esses sete pacientes continuaram o tratamento com radioterapia.
A quimioterapia antes da cirurgia também elimina a célula que ''escapa'' do tumor principal, reduzindo o risco de metástase. E o paciente não precisa passar por esse tratamento, que debilita o organismo, enquanto se recupera de uma operação. A técnica também reduz os efeitos colaterais da quimioterapia e permite que a intervenção cirúrgica seja mais branda.
Foi o caso da secretária Maria da Glória Ferreira Cassus, de 52 anos. Ela descobriu um tumor de cinco centímetros no pulmão esquerdo ao tratar para uma tosse insistente. Foi submetida à nova técnica em 2002 com sucesso.


