O Brasil, o Mediterrâneo e o oeste dos Estados Unidos estão entre as regiões que mais vão sofrer com o aquecimento global. Foi o que apontou estudo feito pelo Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos EUA, em 2006. No início de fevereiro, o mundo se colocou em alerta com o relatório divulgado pelo IPCC (sobre o aquecimento global). A temperatura média do planeta deve aumentar cerca de 4 graus Celsius até o final do século.
Além disso, fenômenos como o degelo nas regiões mais frias do planeta, a falta de água, aumento de furacões e tempestades podem afetar a agricultura e modificar drasticamente a paisagem. Um novo documento deve ser divulgado em abril deste ano, com o detalhamento das áreas mais afetadas do planeta.
E como amenizar o problema? De acordo com Karen Suassuna, técnica em mudanças climáticas da ONG WWF Brasil, três pontos são apontados com fundamentais: mudanças de hábitos sociais, políticas públicas efetivas e modificação nos negócios. ''É preciso alterar, por exemplo, os níveis de consumo de energia, combater o desmatamento e pensar em fontes alternativas'', explica ela. Há 10 anos, a WWF Brasil já trabalha com áreas de preservação ambiental. O projeto Agenda Elétrica Sustentável tem como principal objetivo, oferecer uma visão diferenciada na hora de planejar o setor elétrico. ''Deve existir uma barreira na expansão agrícola sem planejamento''.
Karen ainda afirma que não é possível estipular prazos para que as atitudes sejam tomadas, mas o ideal é que até no máximo 2020, o mundo consiga reduzir em até 30% a emissão de gases e, em 2050, chegar até 60% de queda para que seja possível conviver com apenas 2 graus Celsius a mais de temperatura. ''A partir daí, os impactos podem ser manejados e não existiria uma catástrofe ambiental'', encerra ela.
Conforme estudo feito pelo Greenpeace, a região amazônica é uma das mais preocupantes. O desmatamento da região contribui hoje com cerca de 300 milhões de toneladas anuais de emissão de gases de efeito estufa - o dobro ou triplo do que é emitido no Brasil através da queima de combustíveis fósseis. Com o aquecimento global, a Amazônia poderia entrar em um processo de savanização, tornando algumas de suas áreas mais secas e pobres que o cerrado brasileiro nos próximos 50 anos. O pantanal, outra área úmida do país, também corre risco de desaparecer.
Para Karen Suassuna, ao longo dos anos, o país pode sofrer com um volume maior de chuvas de forma mais concentrada em algumas áreas, principalmente nas regiões oceânicas. No entanto, a caatinga e o norte do país devem sofrer com a seca. ''Já estamos sentindo essas consequências. Não é que isso vai acontecer de um dia para o outro. A seca no Rio Grande do Sul há alguns anos e o excesso de calor e chuva no Sudeste já são sinais de que alguma coisa está acontecendo'', afirma ela.

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