TCU vai inspecionar socorro do BC ao Marka e FonteCindam
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 11 (AE) - O Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar a operação de socorro do Banco Central (BC) aos bancos Marka e FonteCindam, em janeiro último, durante a mudança do regime cambial. O TCU também vai apurar denúncias sobre vazamento de informações privilegiadas ao mercado financeiro e que teriam proporcionado lucros à maioria dos bancos por terem comprado dólares às vésperas da desvalorização do real.
A inspeção no BC foi determinada hoje pelo ministro Bento Bugarin, durante a sessão plenária realizado pelo Tribunal na última quarta-feira. Ele disse que no caso da ajuda prestada pelo BC, o objetivo do TCU é avaliar a legalidade e a legitimidade da venda de dólares a preços abaixo da cotação do mercado alguns dias depois da desvalorização cambial.
O ministro Bugarin informou que já manteve entendimentos com o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro, senador Bello Parga (PFL-MA), para que a equipe responsável pela inspeção tenha acesso às informações já obtidas pela comissão do Senado Federal.
Segundo Bugarin, os dados já disponíveis para a CPI servirão de subsídio para a apuração determinada pelo TCU, pois vão possibilitar que os trabalhos sejam agilizados. Da mesma forma, o TCU - que é o órgão assessor do Legislativo federal - se comprometeu em colaborar com a CPI, repassando as informações e análises realizadas pela equipe de inspetores.
A inspeção no BC será feita pelos analistas de finanças e controle externo da oitava Secretaria de Controle Externo do TCU. Uma outra equipe já está prestando assessoria técnica à CPI do Sistema Financeiro.
Grampo - O TCU divulgou hoje a carta encaminhada ao Tribunal pelo ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Solcial (BNDES), André Lara Resende, e pelo ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. No documento, eles negam tenham se referido ao TCU como "uma mutreta", conforme diálogo entre as duas autoridades captadas em gravações publicadas na imprensa.
Lara Resende e Mendonça de Barros afirmam que "jamais" tiveram a intenção de se referir ao TCU de forma pejorativa e que a expressão foi intercalada em meio à discussão sobre o que consideravam uma distorção do processo de privatização.
"Os signatários dessa carta manifestavam sua compreensão de que o grupo de compradores integrado por aquelas seguradoras (do Banco do Brasil no leilão de privatização da Tele Norte-Leste) seria chapa branca e que a sua ação compradora
com financiamento do BNDES, ainda mais desenvolvida sob o discurso privatista, seria uma mutreta", diz a carta.


