Brasília, 10 (AE) - O Tribunal de Contas da União (TCU) fará auditorias nas contas do Banco Central anualmente. Esta decisão foi tomada pelo tribunal na sessão do último dia 7. Segundo fontes daquele órgão, depois que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciou que contratará uma auditoria externa independente para analisar e dar mais transparência às contas do BC, os ministros do tribunal concluíram que o TCU também deve ter acesso aos números. Isso sem a alegação de sigilo bancário, reforçou a fonte do tribunal.
Recentemente, o TCU concluiu uma auditoria no BC específica sobre operações de socorro dadas aos bancos Marka e FonteCindam na época da desvalorização cambial, no início do ano passado. O relatório está sendo preparado. Outra auditoria, esta sobre o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes), o programa de reestruturação dos bancos estaduais, está em andamento.
E atendendo a um pedido constante do relatório da CPI dos bancos, concluída no ano passado, o tribunal programou para o segundo semestre uma nova auditoria para analisar as operações do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), o socorro aos bancos privados.
Numa quarta auditoria, o TCU quer informações do Banco Central sobre os empréstimos que o Banco do Brasil concedeu à construtora Encol, que faliu em 1997, prejudicando 42 mil famílias que haviam comprado imóveis. "O que o TCU quer saber é por que o BC não supervisionou as operações do Banco do Brasil"
afirmou a fonte do tribunal. Esta auditoria também está programada para ser realizada no segundo semestre. O tribunal ainda quer uma inspeção sobre possíveis irregularidades na remessa de dólares para o exterior por meio dos Fundos de Investimentos no Exterior (Fiex) por ocasião da crise cambial.
As divergências entre o TCU e o BC são antigas. Quando investigou os casos dos bancos Econômico e Nacional, as razões da intervenção do Banco Central e as operações do Proer concedidas às instituições, os auditores do TCU reclamaram porque o BC usou tarjas pretas em muitas informações. No Banco Central, a explicação era que as informações com as tarjas tinham sigilo bancário e não podiam ser passadas ao tribunal.
Até agora, o TCU analisava as contas do Banco Central depois que elas eram auditadas pela Secretaria Federal de Controle. Somente em casos de dúvida o tribunal decidia fazer uma investigação específica.
De acordo com informações da assessoria do BC, mesmo sem ter o comunicado oficial do tribunal, a notícia de uma auditoria anual foi bem recebida. Segundo a assessoria "porque o objetivo da diretoria é dar às contas do Banco Central o mais elevado grau de transparência".

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