Curitiba- O ministro Guilherme Palmeira, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou em despacho que a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná interrompa os repasses à Central de Associações Comunitárias do Assentamento Ireno Alves dos Santos, localizado em Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava), e à Cooperativa de Trabalhadores em Reforma Agrária (Cotrara). O despacho é de 5 de julho.
Um relatório de fiscalização da Secretaria de Controle Externo no Paraná (Secex-PR) apontou irregularidades na aplicação de recursos destinados à prestação de serviços de assistência técnica em assentamentos rurais no Estado. Entre os problemas indicados, estão indícios de desvio de recursos entre entidades ligadas aos assentamentos rurais; não-realização de procedimentos licitatórios; despesas em desacordo com convênio; e omissão do Incra quanto à fiscalização, supervisão e acompanhamento da execução dos convênios, que somariam cerca de R$ 20 milhões.
Em nota, a Superintendência do Incra-PR informou que já foi notificada sobre a decisão. ''A Superintendência afirma, categoricamente, que não há irregularidades nos contratos analisados pelo TCU e destaca que sempre trabalhou buscando a transparência nos termos firmados com as instituições parceiras'', diz a nota.
Danilo Ferreira de Almeida (PT), vereador em Rio Bonito do Iguaçu e membro da coordenação do assentamento Ireno Alves dos Santos, disse que a comunidade local não soube detalhes do despacho do TCU. ''Acreditamos que haja motivações políticas, de alguém que tenha feito denúncias para nos prejudicar'', afirmou Almeida.
Em nota, a Cotrara informou que apresentou recurso ao TCU para contestar o despacho. A cooperativa alegou que a decisão do tribunal foi tomada ''a partir de denúncias de um deputado federal do Paraná, não identificado''.

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