TCS propõe adiar segunda etapa das mudanças nos interurbanos
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 28 (AE) - A Tele Centro Sul (TCS), empresa de telefonia que atua em nove Estados, além do Distrito Federal, quer adiar por 90 dias a segunda etapa das mudanças nas chamadas interurbanas, prevista para a próxima terça-feira. Nesta fase, para se fazer ligações entre cidades com o mesmo código DDD, também deverá haver escolha da operadora.
"Podemos ter um colapso nas nossas centrais telefônicas", advertiu hoje(28) o presidente da TCS, Henrique Neves.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reúne amanhã os representantes das oito telefônicas em operação no País para analisar os relatórios de cada uma das operadoras sobre o primeiro mês da competição nas chamadas interurbanas. Se todas as empresas concordarem, poderá ser dado um prazo maior para que as ligações feitas entre cidades com o mesmo DDD (o que também abrange todas as chamadas feitas dentro de 15 Estados), passem a exigir também o código da operadora.
Dentro da área de concessão da Tele Centro Sul, segundo Neves, 85% dos assinantes que fazem ligações entre cidades com o mesmo DDD ainda usam a forma antiga. A preocupação da empresa é que a obrigatoriedade de incluir os códigos da prestadora e do DDD possa causar confusões e novos problemas nas ligações, com congestionamentos nas centrais telefônicas. "Poderá acontecer conosco o que ocorreu no Rio e em São Paulo", disse Neves.
"Por cautela e em razão dos problemas que ocorreram no início do processo de competição, acreditamos que o adiamento será aprovado", afirmou Neves. A proposta da TCS, já feita por escrito à Anatel, é introduzir paulatinamente em 90 dias a nova forma de ligações DDD entre cidades com o mesmo código. Atualmente é possível fazer estas chamadas da forma antiga e da atual. "Queremos começar pelo Mato Grosso do Sul", disse o presidente da holding. O Estado tem apenas 240 mil terminais e por isso, segundo Neves, tem mais condições de administrar os problemas que surgirem.
CRT - O presidente da TCS também criticou o interesse da Portugal Telecom em adquirir a participação de 45% que a Telefónica Internacional, do grupo Telefónica, possui na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). "A empresa portuguesa tem reconhecida ligação com a Telefônica", afirmou Neves "Se o negócio for fechado não estará sendo atendido os requisitos do Plano Geral de Outorgas", disse.
O interesse da TCS é ser majoritária na operadora gaúcha
que faz parte da sua área de concessão. "Nós temos preferência nesta aquisição", afirmou Neves. Pelas regras do PGO, o grupo de telecomunicações espanhol deverá se desfazer de suas ações na empresa gaúcha até 29 de janeiro do ano 2000, 18 meses depois da privatização da Telebrás.
A Telefônica não pode ter ao mesmo tempo o controle da Telesp Participações e de outra companhia de telefonia em uma região diferente. Segundo analistas do mercado de telecomunicações, a compra das ações da Telefônica é um negócio estimado em mais de R$ 1,2 bilhão. A CRT (fixa e celular) foi privatizada por R$ 1,6 bilhão em dezembro de 1997 e junho de 1998.


