São Paulo, 21 (AE) - A Tele Centro Sul (TCS), companhia de telefonia fixa que atende a seis Estados das regiões Sul e Centro-Oeste, decidiu reduzir as suas tarifas de longa distância para concorrer com a Intelig, que inicia neste domingo (23) suas operações. O presidente da TCS, Henrique Neves, admitiu o corte nas tarifas se deve aos preços mais baixos anunciados pela Intelig para o horário comercial, das 8h00 às 18h00.
"Em função das tarifas anunciadas pela Intelig estamos reduzindo as nossas nos horários em que elas eram mais altas", afirmou Neves. "A gente responde à estratégia de preço dos nossos competidores", disse. A TCS opera nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia
Acre, a cidade de Pelotas (RS) e o Distrito Federal.
"Temos compromisso assinado em cartório de que vamos oferecer os preços mais baixos", declarou Neves. Ele esclareceu que na tarifa local a margem de manobra é menor. "A competição de verdade pode acontecer na longa distância", falou.
No horário comercial, por exemplo, as chamadas realizadas dentro do Estado custam, pela Intelig, R$ 0,22 o minuto, sem tributos. Pela TCS, essa mesma chamada vai custar R$ 0,179 o minuto das 8h00 às 9h00 e das 12h00 às 14h00, e R$ 0 2189 das 9h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00.
Segundo Neves, em outros horários a TCS tem tarifas até trinta vezes menores do que as da Intelig. As tarifas das chamadas locais não serão alteradas. A competição com a empresa-espelho Global Village Telecom (GVT) na área de atuação da TCS terá início apenas em meados do ano.
"As espelhos que estão entrando com preços mais altos do que os da Telefônica e da Telemar", comentou Neves sobre o início da concorrência na telefonia brasileira. Ele acredita que a GVT também utilizará a tecnologia Wireless Local Loop (WLL), apesar de dominar a solução de satélite, que tem uso específico para telefonia rural.
Neves não descartou, mas também não confirmou a possibilidade de a empresa adotar a mesma estratégia da Telefônica, de enxugar o volume de ações em mãos de minoritários. Indagado sobre essa possibilidade, Neves alertou que a estrutura societária da TCS é muito diferente da composição da Telesp, controlada exclusivamente pela Telefónica.
Ele lembrou que fundos de investimentos do Opportunity detêm 51% do grupo de controle da TCS, chamado de Solpart, a Telecom Itália possui outros 38% e fundos de pensão brasileiros, 11%. "A composição do grupo de controle é diferente", disse. "Para a Telefónica, tinha sentido transformar a Telesp em subsidiária integral", afirmou. "Mas as decisões sobre esse assunto não são minhas", ressalvou.
A TCS tem a intenção de expandir suas operações em todo o Rio Grande do Sul. Neves chegou a anunciar que pretendia adquirir a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), de telefonia fixa, da qual a Telefônica tem que sair até 04 de fevereiro. Ele afirmou que continua interessado em adquirir o controle da CRT, após a visita de um grupo de executivos ao data-room da empresa, concluída no sábado. "Continuamos avaliando", disse. Neves admitiu que a Sercomtel e a CTBC Telecom, do Grupo Algar, podem ser rivais porque têm o direito de participar da disputa, de acordo com as regras do Plano de Outorgas das telecomunicações.
"Elas visitaram o data-room, mas algumas empresas enfrentam obstáculos específicos", ressalvou. "Provavelmente terão que entrar com parceiros", disse. O presidente da TCS acredita que a saída da Telefônica do controle da CRT estará encerrada no prazo estabelecido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

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