TCS ganha mais autonomia no comando da CRT
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Sandra Hahn 
Porto Alegre, 29 (AE) - Numa assembléia-relâmpago, que durou 15 minutos, foram escolhidos hoje os integrantes do conselho de administração da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), que será presidido por Carlos Sales. O executivo desempenha a mesma função na Telepar. À tarde, as indicações prosseguiram com a formação da diretoria executiva, quando Henrique Neves foi designado presidente da empresa. As nomeações puseram fim a um período de 24 dias de transição administrativa na CRT.
Desde 5 de fevereiro a empresa era gerenciada em caráter provisório pelo consórcio Tele Centro Sul (TCS), que possui 8 01% das ações ordinárias da CRT. O grupo indicou todos os nomes da novo comando. Com a assembléia, os diretores ganham mais autonomia para deliberar. "Sendo eleito e empossado, o conselho de administração pode fixar políticas de longo prazo", observou hoje o diretor-jurídico da TCS, Pedro Aguiar de Freitas, que anunciou os resultados da assembléia.
As novas políticas administrativas deverão ser conhecidas amanhã, quando a diretoria executiva irá conceder entrevista coletiva. A CRT é considerada estratégica pelo consórcio TCS, que controla nove operadoras de telefonia em nove Estados e no Distrito Federal. O grupo anunciou uma reestruturação acionária que concentra todas as operadoras na Telepar. A medida foi aprovada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Telecom Italia, que possui 38% do consórcio TCS, chegou a um acordo para a compra do controle acionário da CRT, que pertence à Tele Brasil Sul (TBS), o que vinha sendo tentado há vários meses. Em comunicado distribuído à imprensa na noite de segunda-feira, Telefonica Internacional, Banco Bilbao Vizcaya
Iberdrola, RBS e Portugal Telecom (acionistas da TBS) confirmaram o entendimento, sem revelar os valores do negócio.
O acordo terá de ser submetido aos outros acionistas da TCS. "O assunto está em andamento, o conselho de administração pode ser convocado de forma extraordinária", informou Freitas. Serão negociadas em bloco 85,19% das ações ordinárias da CRT.
Somando-se o bloco negociado pela TBS com as ações que a TCS já detinha, o grupo chegaria ao controle de 93% das ações ordinárias da CRT. Na assembléia de acionistas, dois votos foram declarados contrários à composição do conselho de administração. O governo gaúcho, que detém 4% do capital votante, manteve sua posição em defesa de intervenção da Anatel na CRT e contra a gestão transitória indicada pela agência.
"Imaginamos que as grandes decisões, que envolvem expansão do sistema, estão sofrendo descontinuidade", afirmou a secretária-substituta de Energia, Minas e Comunicações, Cláudia Hoffmeister. Outra declaração contrária foi feita pelo clube de investimento dos telefônicos.
Eles reivindicam lugar no conselho de administração, conforme estava previsto no edital de privatização da CRT. A prerrogativa foi cancelada, conforme Jurandir Leite, presidente do Sindicato dos Telefônicos, pela TBS, em 1998. Os demais integrantes da diretoria executiva da CRT são Roberto Medeiros (superintendente), Ayrton Capella (técnico), Victor Moura (financeiro) e João Francisco Rached de Oliveira (administrativo).


