TCM intima Reynaldo de Barros para depor sobre obras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paul, SP, 01 (AE) - O ex-secretário Reynaldo de Barros, responsável pela Secretaria de Vias Públicas, Serviços e Obras nos governos de Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (sem partido), foi intimado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) a depor em dois processos administrativos. Ele é acusado de praticar irregularidades no cargo que ocupou até novembro, quando foi demitido por Pitta. A medida foi publicada hoje no "Diário Oficial" do Município.
De acordo com o presidente do TCM, Walter Abrahão, o ex-secretário foi intimado porque não respondeu à notificação entregue em sua casa. O caseiro disse ao oficial que ele estava "viajando para o exterior". "Desde que o doutor Reynaldo saiu do governo não ouço mais falar dele", disse Abrahão.
Outra tentativa foi feita pelo correio, mas a correspondência foi devolvida com a informação de que o endereço não existia. Reynaldo tem 15 dias, contados de hoje, para apresentar defesa. Caso não o faça, o TCM encaminhará o caso ao Ministério Público, para investigação.
Um dos processos, de 1996, foi encaminhado pelo conselheiro substituto Rui Corrêa. Ele se refere a obras de drenagem feitas na Avenida Henry Ford, na Mooca. A maioria dos conselheiros decidiu advetir Reynaldo, por ele não ter apresentado cronograma da obra nem "expressa autorização do prefeito" para fazê-la. O tribunal acolheu uma proposta de acordo do ex-secretário, "em caráter excepcional". "A advertência é uma pena simbólica", diz Abrahão.
O segundo processo, de 1995, trata da canalização do Córrego Taboão e construção de avenida de fundo de vale. Na intimação, o conselheiro Antonio Carlos Caruso - indicado pela Câmara na gestão de Maluf - informa a Reynaldo que órgãos técnicos do TCM apontaram irregularidades nas despesas.
CPI - A intimação do tribunal ocorre um mês após o deputado estadual Reynaldo de Barros Filho (PPB) dizer à polícia que Pitta sabia da extorsão praticada por fiscais da Administração Regional de Itaquera. Eles estariam exigindo R$ 50 mil da empresa Panco, em benefício do vereador Dito Salim (PPB). Pitta afirmou que o deputado estava querendo "15 minutos de fama".
Taiti - Segundo o deputado Barros Filho, seu pai foi aos Estados Unidos e agora está na Argentina. "Depois, ele vai para o Chile e Taiti", completou, rindo diante da hipótese de contato com Reynaldo. "Se foi publicada a intimação hoje no Diário Oficial, com certeza ele não está sabendo." Ele classificou o ato do TCM de "rotineiro". "Não haverá problema nenhum."
Reynaldo já foi condenado a reembolsar a Prefeitura pelos gastos com a contratação, sem concorrência pública, da Logos, que gerenciava o sistema de coleta de lixo na cidade. Um dos acionistas da empresa é tio do ex-secretário.
Malufista histórico, ex-prefeito, defensor das grandes obras viárias, Reynaldo foi o responsável pela maior fatia do Orçamento nos quatro anos da gestão Maluf. Ganhou o apelido de "supersecretário". Em sua gestão, a Ponte dos Remédios, na Marginal do Tietê, cedeu e paralisou o trânsito por três meses. Seu assessor especial Armando Mellão Neto, que recebia o salário pela Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam), tornou-se presidente da Câmara.
Reynaldo administrava também as verbas da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). "Não há nada contra endividar uma cidade, desde que dentro de uma regra que não a torne inviável", disse, em 1997. Naquele ano, a cidade ficou parada por causa de dívidas contraídas por suas secretarias. Pitta o manteve no cargo, mas com poder limitado pela falta de recursos. Os desentendimentos só acabaram com a intervenção de Maluf. Ao sair, Reynaldo declarou-se feliz. "O Pitta vai ter sucesso e, se precisar de alguma coisa, ajudarei com prazer."


