Taxistas bloqueiam avenida em protesto contra violência em Campinas
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Calyton Levy 
Campinas, SP, 23 (AE) - Cerca de cem taxistas bloquearam hoje pela manhã o trânsito na Avenida Francisco Glicério, no centro de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, para protestar contra a violência na cidade. A manifestação durou cerca de duas horas e provocou congestionamentos nas ruas e avenidas da região. Em menos de 15 dias, dois taxistas morreram vítimas de assaltantes. A categoria reclama maior empenho da Polícia Militar para evitar a ação dos criminosos.
Na madrugada de sábado, o motorista Arlindo Carneiro sofreu um ataque cardíaco e morreu logo depois de ser assaltado por um casal. Ontem (22), foi a vez de o taxista Wesley dos Santos ser surpreendido por dois assaltantes, por volta das 04h30, no Jardim Carlos Lourenço. O motorista escapou com vida, mas os criminosos levaram seu carro, documentos e R$ 80,00 em dinheiro. No dia 14, o motorista de táxi Ailton dos Santos Ricci foi assassinado com um tiro na nuca durante um assalto no Jardim Mauro Marcondes. Os autores do crime ainda incendiaram o Verona marrom do taxista e abandonaram o corpo a 50 metros do carro. Os documentos, telefone celular e os R$ 40,00 que estavam com Ricci desapareceram.
"Todos os dias, pelo menos dois motoristas são assaltados em Campinas", afirma o presidente do Sindicato dos Taxistas de Campinas, Rubens de Goes. Ele defende o armamento da categoria. "Queremos que o governo federal aprove o porte de armas para taxistas, motoristas de caminhão e até para quem trabalha com transporte escolar". Segundo ele, a proposta inclui o treinamento defensivo dos motoristas. "Eles aprenderiam quando e como usar a arma", explica.
De janeiro a julho desse ano ocorreram 342 homicídios na cidade, segundo dados da Polícia Civil. Desse total, 17 foram classificados como latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. O crescimento da violência levou a prefeitura a ampliar o programa amarelo-piscando, que desliga os semáforos durante a noite, deixando apenas a luz amarela piscando. Até o final de agosto, pelo menos 20% dos semáforos estarão funcionando nesse esquema para evitar que os motoristas sejam surpreendidos por assaltantes ao parar no sinal vermelho.


