Curitiba, 03 (AE) - O taxista Ademir Morador está acusando policiais militares à paisana, que ocupavam um veículo descaracterizado, de disparar vários tiros contra seu carro, durante a madrugada, em Curitiba. O taxista transportava quatro passageiros e um deles foi ferido com um tiro no ombro, levemente. Após ser medicada no Hospital do Trabalhador, a vítima foi liberada. A polícia alega que o taxista não quis parar. Ele estaria sendo perseguido em razão de denúncia anônima de assalto.
Segundo o taxista, ele pegara os passageiros em uma empresa da Cidade Industrial de Curitiba. De repente, policiais à paisana, ocupando um Gol cinza, sem qualquer identificação, começaram a atirar. Morador disse ter imaginado que era um tiroteio entre bandidos, até que percebeu que os tiros eram contra seu carro. Sem saber de quem se tratava, ele seguiu em frente e foi perseguido, parando somente quando o passageiro ferido, Ênio Cezar Gonçalves
pediu que o fizesse.
Para o motorista, a situação poderia ter se transformado em uma tragédia. "Se a gente está com um assaltante, os policiais têm que preservar a vida da gente, pois somos cidadãos como todo mundo, como eles também". As análises feitas no Instituto de Criminalística (IC) mostraram que foram dados pelo menos 15 tiros contra a traseira do carro. Um deles estilhaçou o vidro e atingiu o passageiro. Foram encontradas balas de revólver calibre 38 e de pistola 9 milímetros. Telefonema - O comandante do Policiamento da Capital, coronel Justino Sampaio, disse que a operação foi motivada por um telefonema anônimo, aos 37 minutos da madrugada. No telefonema, a pessoa dizia que o motorista de um táxi Vectra estava sendo mantido como refém por quatro pessoas. O comandante afirmou que a abordagem foi feita pelo carro descaracterizado e por mais dois com sirene e giroflex ligados.
Um inquérito foi aberto para apurar as responsabilidades dos policiais, principalmente o modo agressivo como foi realizada a abordagem. "Pelas primeiras informações pode ter havido falha", disse Sampaio. "Com o inquérito, queremos verificar onde houve a falha, corrigí-la e, se for o caso, responsabilizar quem a cometeu". A polícia também pretende descobrir quem foi o autor do telefonema anônimo. "Pode até ser uma brincadeira de colegas dos passageiros", sugeriu o comandante da PM.

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