Rio, 20 (AE) - Os táxis com motor a gasolina perderão a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir de 1º de outubro. Somente na compra de veículos a álcool os taxistas terão direito à renúncia fiscal. Esta é uma das medidas que marcará o retorno do Proálcool, programa de incentivo ao consumo de álcool combustível.
Ainda este ano, o governo vai ampliar de 24% para 26% a mistura de álcool anidro à gasolina para reduzir o estoque excedente de álcool no mercado, hoje calculado em 2 bilhões de litros.
Hoje o governo comprou em leilão, por meio da Petrobrás, uma parcela de 99,730 milhões de litros de álcool deste excedente, a R$ 0,33 o litro, o que corresponde a cerca de R$ 33 milhões. Prepara uma nova compra para a semana que vem e, a partir do segundo semestre, vai intensificar a campanha do Proálcool.
Ao anunciar hoje a medida, o ministro do Desenvolvimento
Indústria e Comércio, Celso Lafer, negou que o governo esteja fazendo uma campanha de socorro aos usineiros. "Por mais que o álcool seja, como a jabuticaba, um produto nacional, há um interesse grande em uma nova fonte de energia", brincou, referindo-se à política de alteração da matriz energética brasileira.
Este mês, em Araucária (PR), foi testada a adição do álcool anidro também ao óleo diesel, numa frota de 300 ônibus urbanos. A princípio, a mistura será de apenas 3%. Segundo Lafer
além da Fiat e da Volks, a General Motors deve começar a produzir carros a álcool no segundo semestre. A estimativa é de que ingressem no mercado 50 mil táxis a álcool por ano.
A produção das montadoras, ainda de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, ficará em 1,2 milhão de veículos, mas ainda não há estimativa do porcentual de carros a álcool neste total. O programa de incentivo do governo, a princípio, não inclui o consumidor comum, arredio ao programa devido à experiência mal-sucedida da década de 70.
Está em estudos a oferta de incentivos fiscais às locadoras que substituírem suas frotas. Foi acertado também que os carros oficiais serão todos a álcool.
Levando-se em conta que o consumo diário de gasolina no País é 315 mil barris, ou 50,058 milhões de litros, o aumento de dois pontos porcentuais do álcool na mistura significa uma adição de 1 milhão de litros de álcool anidro por dia na gasolina consumida.
Para o ministro Lafer, o programa de incentivo fiscal, o aumento da mistura na gasolina e os leilões de álcool, com a absorção do estoque que os usineiros não conseguiram vender, não caracteriza um socorro ou a adoção de subísidos para o setor. "Não estamos fazendo uma operação de salvamento", afirma o ministro. "Estamos fazendo um leilão onde haverá uma importante dimensão de mercado."
Ele lembrou que o governo decidiu este ano seu interesse na continuidade do Proálcool, não apenas para o álcool anidro como também no hidratado. "A razão pela qual estamos fazendo isso não é que reinventamos a roda, mas há interesse grande numa energia renovável", justificou.

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