Brasília, 14 (AE)- O estudo realizado pelo Banco Central com base em informações de 17 grandes bancos constatou que as taxas de juros brasileiras estão entre as mais elevadas do mundo. Segundo o diretor de política econômica, Sérgio Werlang, as altas taxas praticadas no Brasil se devem, em parte, às condições macroeconômicas que caracterizam o período recente. O estudo revela que o custo de um empréstimo ao tomador final é de 83%, enquanto a taxa de captação do CDB é de 21% e o spread cobrado fica na faixa de 62% ao ano. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que "não é razoável esperar" um crescimento econômico consistente com uma intermediação financeira "tão cara e restritiva".
Armínio observou que alguns estudos mostram que a taxa de retorno real histórica do capital em países como os Estados Unidos, ao longo de um século, fica na média de 6%, enquanto que no Brasil esta taxa, além de estar na casa dos dois dígitos, o fato de se encontrar no patamar de 62% mostra que "algo está errado". O presidente do BC disse que esta é a primeira vez que se consegue decompor a formação do spread bancário no Brasil.
O presidente do Banco Central, Arminio Fraga, incluiu entre as medidas que estão sendo divulgadas no Palácio do Planalto, a necessidade de aprovação pelo Congresso da emenda constitucional da reforma tributária, para eliminar os impostos indiretos que incidem nas operações financeiras. Segundo ele, a identificação da cunha fiscal proporcionada pelos estudos do BC mostram claramente que o caminho para reduzir o custo da intermediação financeira no País também passa pela aprovação da reforma tributária. Os estudos constataram que um dos graves problemas do sistema financeiro é a taxação indireta. Armínio Fraga disse que a orientação do governo é trabalhar pela redução dos impostos indiretos sobre a intermediação financeira, aumentando a eficiência na alocação de capital e investimento na economia, e tornar o IOF um imposto meramente regulatório e não arrecadatório.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ainda na conversa com os jornalistas não ter dúvidas de que a reforma tributária será aprovada pelo Congresso até o primeiro semestre do próximo ano. Ele classificou de "mentira" as especulações daqueles que não identificam no governo empenho para aprovação da proposta em discussão no Congresso. "É a maior mentira do mundo dizer que o governo não quer a reforma tributária ", disse Armínio Fraga. O presidente do Banco Central disse estar convicto da aprovação da reforma.

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