Brasília, 23 (AE) - As taxas básicas de juros passam amanhã de 22% para 21% ao ano. A redução das taxas, que foi adotada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, é a nona no período de três meses. Foi mantido o viés de baixa, o que significa a possibilidade do presidente do BC, Armínio Fraga
decidir por uma nova redução das taxas antes da próxima reunião do comitê.
A decisão do Copom foi mais conservadora do que esperava o mercado que vinha apostando mais fortemente em taxas entre 20% e 20,5% ao ano. Segundo explicou o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, diferentemente das vezes anteriores, quando a taxa de juros caiu mais pontos, turbulências no mercado externo influenciaram a decisão da nova taxa. Mais especificamente, segundo citou, a probabilidade de um aumento de juros nos Estados Unidos e a crise na economia Argentina.
Os outros dois pontos sempre avaliados na fixação das taxas, como a tendência da trajetória da inflação e o desempenho das contas do setor público, de acordo com o diretor, continuaram melhorando. "Nós acreditamos que a inflação permanece com tendência de queda no médio prazo", afirmou Figueiredo salientando que, mesmo o aumento de preços e tarifas públicas, como o preço da gasolina, não mudou a avaliação do Copom em relação ao comportamento dos índices inflacionários.
"Nossa principal preocupação é com a inflação, ela é um divisor de água na decisão dos juros", insistiu. De acordo com o diretor, a elevação de preços não mudará o processo, ou seja, a trajetória da inflação.
Sobre a manutenção do viés de baixa, ele justificou que é preciso esperar para verificar se, até o próximo Copom, ele poderá ser usado. Isso porque, dependendo do comportamento do cenário, principalmente o externo, os juros poderão sofrer ou não novo corte. Ele destacou, no entanto, que a uma semana da reunião do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), quando será tomada a decisão sobre as taxas norte-americanas, o mercado está parado, esperando. "O mercado está com as barbas de molho esperando a decisão do Fed", avaliou Figueiredo. De acordo com Figueiredo, ainda há incertezas lá fora.
Para o diretor do BC, a pressão na taxa de câmbio que tem ocorrido nas últimas semanas não é uma consequência destas incertezas. Segundo ele, o balanço de pagamento (transações de comércio, serviços e investimentos que o Brasil tem com o exterior) deste mês está mais pressionado com os pagamentos de dívida externa que totalizam US$ 7,8 bilhões.
Figueiredo admitiu que em junho houve uma redução nos fluxos para o País. E ressaltou que o fim da isenção do Imposto de Renda sobre os fundos de investimento, que está previsto para o próximo dia 30, é um dos fatores responsáveis pela saída de capitais.
Desde o dia 24 de março, quando os juros caíram pela primeira vez na administração de Armínio Fraga e passaram de 45% para 42%
o presidente do BC recorreu seis vezes ao instrumento do viés (prerrogativa que tem para alterar os juros nos intervalos das reuniões do Copom) enquanto as outras três reduções foram adotadas em reuniões do comitê. Em três meses, as taxas de juros básicas caíram, portanto, 21 pontos porcentuais.
A reunião de hoje do Copom foi a primeira em que os integrantes do comitê, no caso a diretoria do Banco Central e os chefes dos principais departamentos da instituição, fizeram análises sobre a nova sistemática de metas para inflação que será adotada a partir da próxima semana. Dentro de duas semanas, o BC divulgará um relatório sobre o encontro e todas as discussões que levaram à fixação da taxa de 21%. A próxima reunião do Comitê será realizada no próximo dia 28 de julho.

mockup