Taxa do Opportunity reforça suspeita sobre leilão de teles
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Gustavo Alves e Suzana Santos 
Rio, 12 (AE) - A suspeita de irregularidades no leilão da Telebrás retornou nesta semana, com a denúncia de que o ex-presidente da Previ, Jair Bilachi, concordou em pagar ao Banco Opportunity uma "taxa de administração" pela gestão do fundo de investimento ao qual se associou, apesar de decisão contrária da diretoria do fundo de pensão do Banco do Brasil (BB).
A acusação foi feita no pedido de investigação do caso entregue ao Ministério Público Federal, em Brasília, pelos deputados Aloísio Mercadante (PT-SP) e Ricardo Berzoini (PT-SP).
A representação dos parlamentares foi motivada pela carta do diretor de Planejamento da Previ, Arlindo de Oliveira, dirigida ao atual presidente da Previ, Luiz Tarquínio, protestando contra o pagamento da taxa. Na correspondência, Oliveira lembra que a direção da entidade se posicionara contra esta remuneração, em reunião no dia 23 de julho de 1998.
Os deputados pedem que seja investigada a negociação havida entre Bilachi e os diretores do Opportunity na época da privatização - Daniel Dantas e Pérsio Arida.
Também são citados como envolvidos no episódio o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) André Lara Resende, seu sucessor, José Pio Borges
e o ex-diretor do BB Ricardo Sérgio de Oliveira. O atual presidente da Previ, Luiz Tarquínio, também é citado na representação por "omissão" no caso.
Depoimento - "A Previ era cortejada por diversos bancos de investimento, poderia arranjar um parceiro que não cobrasse as taxas fixas de administração propostas pelo Opportunity", afirmou Mercadante.
O deputado fundamenta sua acusação em depoimento dado por Mendonça de Barros ao Senado, depois da divulgação do grampo telefônico no BNDES, no qual ele explicou a sua atuação com o argumento de que era necessário estimular a concorrência para a privatização da Telebrás.
No depoimento, Mendonça de Barros disse que um "problema criado pela própria Previ" ameaçou a entrada do fundo de pensão no consórcio administrado pelo Opportunity para o leilão das telefônicas. Por isso, o ex-ministro pediu ao ex-diretor do BB Ricardo Sérgio de Oliveira para dar uma carta de fiança ao banco privado.
O "problema", para os deputados, eram as condições ditadas pela diretoria da Previ, que rejeitou o pagamento da taxa de administração.
No Senado, o ex-ministro disse que conseguiu superar os "pontos administrativos" que ameaçavam a formação do consórcio. A declaração seria outro indício de que a decisão da diretoria do fundo de pensão foi desobedecida por Bilachi, a mando de Mendonça de Barros.
Os deputados também consideram que Bilachi coordenou a associação com o Opportunity, mesmo sabendo que ela não era "ideal" para o fundo de pensão. A prova, segundo o pedido feito ao Ministério Público, está em uma conversa grampeada entre o ex-ministro e o ex-presidente da Previ, no qual discutiu-se a associação com o Opportunity.
"Negocialmente, o outro é melhor", afirmou Bilachi - o que seria a admissão de que existia outra proposta de associação
mais lucrativa.


