Rio, 29 (AE) - O coordenador de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco
alertou que "não há com que se surpreender" com uma recuperação do valor do dólar, depois da queda da taxa de juros decidida ontem pelo Banco Central (BC). "O dólar vai aumentar porque está muito baixo, por causa da taxa de juros elevada", previu o economista. "Câmbio e juros são variáveis muito relacionadas", lembrou.
Na avaliação de Castello Branco, o BC, com a medida tomada ontem, iniciou um novo processo de redução da taxa de juros. "Há condições para se chegar a uma taxa de 17% nos próximos meses", informou o economista. "É possível que, nas próximas semanas, haja uma nova redução da taxa de juros", disse. A redução não vai ter efeitos nos índices de inflação, ressalvou o coordenador da CNI. "Há espaço para a economia crescer sem pressão inflacionária." As pressões inflacionárias esperadas nos próximos meses, do reajuste de tarifas e do vestuário, já têm seus efeitos calculados, afirmou Castello Branco, e não chegam a representar uma ameaça para o desempenho da economia. "O que afeta mais são ações não previstas", informou. O economista lembrou que a pressão dos preços das novas coleções de vestuário, com o inverno, afetam mais o índice de inflação da Fipe, porque as roupas de frio têm mais procura em São Paulo e na região Sul do País. "Nos índices nacionais, a influência é mais suave."

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