Única estratégia comprovadamente segura para acabar com a pandemia da Covid-19 ao longo dos próximos anos, a vacinação ainda não foi capaz de provocar uma diminuição do número de novos casos em Londrina. Dessa forma, o distanciamento social e o uso de máscaras ainda são altamente recomendados.

Imagem ilustrativa da imagem Taxa de transmissão da Covid-19 volta a subir em Londrina, aponta pesquisa
| Foto: Isaac Fontana/FramePhoto/Folhapress

É o que apontam os dados mais recentes da Simulação do Espalhamento da Covid-19 em Londrina, monitoramento desenvolvido por docentes e alunos de pós-graduação que atuam no LabSan (Laboratório de Simulação e Análise Numérica), do Departamento de Matemática da UEL (Universidade Estadual de Londrina).

O monitoramento começou no final de abril do ano passado, ainda no início da pandemia. Os pesquisadores desenvolveram um modelo matemático epidemiológico que leva em consideração o número de pessoas que estão suscetíveis à doença, além de expostos (casos suspeitos), infectados e removidos. Neste último grupo, estão incluídos os vacinados, os recuperados e os óbitos, tendo sido incluída, também, taxa de eficácia de não contaminação após a vacinação da ordem de 50%.

“É importante diferenciar aqui a eficácia e a eficiência. Eficácia trata-se dos números divulgados pelas fabricantes das vacinas, que foram calculados em um grupo de pessoas que vivenciaram o uso da vacina para ser aprovado ou não de forma emergencial. Eficiência é demorado. Vai ter que chegar ao ponto de todas as pessoas serem vacinadas e se calcular quantas entraram em óbito, quantas foram curadas etc. Vai demorar mesmo”, aponta o coordenador do programa de pós-graduação em Matemática Aplicada e Computacional da UEL, Eliandro Cirilo.

A simulação mais recente utilizou dados do período entre os dias 26 de julho e 8 de agosto. Se considerada a taxa de crescimento da pandemia no último dia da simulação, os pesquisadores apontaram que um novo pico da doença poderá ser registrado no dia 20 de dezembro de 2022.

Além disso, a análise também revelou crescimento da taxa de transmissão da doença, de 0,729 duas semanas antes para 2,079 no dia 8 de agosto, o mais alto desde 13 de outubro do ano passado. “Tudo o que as pessoas fazem para lidar com a doença tem uma implicação direta no surgimento de novos casos ou não. Por exemplo, se o prefeito anuncia o retorno do fechamento dos bares, tudo o que nós também fazemos, todas as ações humanas, implicam no surgimento ou não de novos casos, então isso está implicitamente considerado nos modelos”, explicou.

Entretanto, o fenômeno já havia sido detectado por um robô. Segundo dados do sistema Loft Science, uma plataforma que calcula as taxas médias de transmissão (Rt) dos estados com a ajuda da Inteligência Artificial, o Paraná já vinha registrando curva ascendente na taxa de transmissão da Covid-19 desde o dia 11 de julho. Neste dia, enquanto o país já havia imunizado 18,9% da população, o Paraná registrou taxa de transmissão da Covid-19 de 0,68. No início de agosto, o índice subiu para 0,89, reafirmando o alerta sobre o avanço da variante delta do vírus no estado.

O município já aplicou ao menos a primeira dose em mais de 50% da população, entretanto apenas 25% pode ser considerada imunizada. O município também vem registrando a queda no número de óbitos em decorrência da Covid-19 e leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) vêm sendo desativados.

Na simulação realizada há 14 dias pelo grupo de matemáticos, a tendência apontava para enfraquecimento da pandemia. Agora, esse cenário se reverteu de forma acentuada, avaliou a professor. “Não podemos achar que estamos tranquilos com a Covid-19 porque não sabemos se vamos ter uma tendência de alta nos próximos dias ou não. A doença é assim, ela sobe e desce. Porque é uma guerra que enfrentamos contra a doença, uma hora enfraquece e outra hora fortalece", destaca.

Metodologia

Questionada sobre os dados, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que respeita o estudo realizado pelos pesquisadores da UEL, porém, informou que utiliza uma metodologia que aponta cenários menos alarmantes.

Conforme a Secretaria, o R0 atual é 0,83. Este índice foi calculado pela equipe de estatística da UEL junto com os epidemiologistas da Secretaria de Saúde, diz a nota. "É importante ressaltar que a pandemia ainda não acabou e todos os cuidados sanitários devem ser mantidos pelos cidadãos", concluiu a Secretaria.

Nas últimas semanas, países da Europa e os Estados Unidos vêm reavaliando suas políticas de contenção da pandemia mesmo em localidades que registram altos índices de vacinação.

(Atualizada em 13/06, às 15h12)

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