Rio- Um estudo sobre vitimização de policiais militares feita por duas pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostrou que a taxa de mortalidade entre PMs do Rio de Janeiro é de 356,23 por cem mil habitantes. A taxa é sete vezes maior do que a referente ao restante da população carioca, de 49,5 por cem mil. A da população brasileira é de 26,7.
As autoras da pesquisa, Edinilsa Ramos de Souza e Maria Cecília de Souza Minayo, que são do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves), já imaginavam que os números seriam altos, uma vez que eles estão mais expostos a ações de criminosos. Mas se surpreenderam com índices tão elevados. ''Nossos policiais estão indo para o confronto de peito aberto'', afirmou Edinilsa, doutora em Saúde Pública pela Fiocruz.
Baseado em dados coletadas entre 1994 e 2004, o estudo, concluído no ano passado, levantou números sobre policiais civis e guardas municipais. As autoras verificaram que, entre os agentes, os que mais sofrem violência são os detetives e os carcereiros. Entre os PMs, é grande a incidência de mortes durante as folgas - pois muitos trabalham para empresas de segurança privada, na condição de vigilantes e seguranças particulares, para complementar a renda.
Edinilsa lembra que, assim como aconteceu com os policiais de São Paulo, que sofreram duros ataques nos últimos dias, os PMs do Rio estão sujeitos a ataques constantes. ''Em São Paulo, havia conhecimento de que algo iria acontecer. No Rio, também é preciso pensar em estratégias para resguardar os policiais, seja na forma de atuação contra o criminosos, seja no uso de instrumentos e equipamentos mais eficientes.''

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