Taxa de mortes de jovens aumenta 14%
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br>Reportagem Local 
Londrina - A cada mil adolescentes do País, três morrem antes de completar 19 anos. A informação é do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) referente a 2010, apresentado ontem pelo Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A taxa - atualmente em 2,98 jovens para cada cem mil - teve um crescimento de 14% em relação a 2009, quando o índice era de 2,61 - e é a maior desde o início da pesquisa, há cinco anos.
Foz do Iguaçu (região oeste) é a nona cidade mais violenta do Brasil com um índice de 7,83 jovens com risco de morte por um grupo de mil adolescentes. É a única do Paraná que aparece nesta lista.
O índice permite estimar que, caso não haja alterações no cenário atual, mais de 36.700 jovens entre 12 e 18 anos serão mortos por arma de fogo até 2016. O risco é cerca de três vezes maior para adolescentes do sexo masculino, negros e moradores das periferias.
Em 2010, a chance de um adolescente do sexo masculino ser assassinado era 11,5 vezes maior que a de jovens do sexo feminino. Se o adolescente for preto ou pardo, a possibilidade aumenta quase três vezes em relação ao branco.
De acordo com o levantamento, 45% das mortes de adolescentes no Brasil são causadas por homicídios. Na população geral, os homicídios correspondem a 5,1% das mortes.
A pesquisa foi realizada em 283 municípios com mais de 100 mil habitantes. O estudo é uma parceria do Laboratório com a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e pelo Observatório de Favelas, uma organização não governamental do Rio de Janeiro. Os pesquisadores analisaram dados do Ministério da Saúde e do IBGE para chegar ao índice, que demonstra o risco dos adolescentes em relação aos homicídios.
O Nordeste foi a região que registrou maior crescimento na taxa. Entre 2005 - quando foi realizada a primeira pesquisa - e 2010, o índice cresceu cerca de 60% na região.
O IHA do Nordeste é 4,93, bem superior ao nacional, que é de 2,98. A estimativa é que, entre 2010 e 2016, ocorram 13.094 assassinatos de adolescentes nordestinos. A região Norte está em segundo lugar, com taxa de 3,62. Em seguida aparece o Sul, com 3,19 e o Sudeste com 2,01.
Entre as dez cidades com maior risco de homicídios entre os jovens, cinco estão na região Nordeste e quatro são na Bahia. Itabuna, no sul do Estado, é a cidade com maior IHA do País, com 10,59 jovens com risco de homicídios para cada mil adolescentes.
Entre as capitais, Maceió apresentou o pior desempenho, com índice de 10,15 jovens mortos a cada cem mil, aparecendo em segundo lugar na classificação geral. Já Salvador aparece em quinto lugar com taxa de 8,76.
''O Nordeste se consolida como maior polo de preocupação no País, sendo que Maceió e Salvador causam a maior preocupação'', ressaltou o coordenador do estudo, o sociólogo Ignácio Cano.
São Paulo representa o melhor desempenho, com taxa de 1,08. ''Há uma transferência da violência das periferias do Sudeste para o Nordeste, não só nas regiões metropolitanas, como em Salvador e Maceió, mas em polos regionais em função do crescimento econômico e demográfico'', afirmou Cano.(Com agências Estado e Brasil).



