Taxa de juros será definida em função da inflação, afirma Figueiredo8/Mar, 14:57 Por Adriana Fernandes Brasília, 8 (AE)- O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que a instituição será sempre cautelosa e conservadora na condução da política monetária. "O que não quer dizer que o BC será irracional", disse Figueiredo à Agência Estado. Segundo ele, o Banco Central tem que fazer os movimentos de taxa de juros baseados em "muita substância e com um grau de certeza bastante importante." "O nosso objetivo é cumprir a meta de inflação e, se para isso for necessário que a taxa de juros seja 19%, 18%, 17%, 20% ou 25% , ela será", ressaltou. O diretor do BC enfatizou que foi dado ao Banco Central o mandato para que seja cumprida a meta de 6% de inflação este ano, pelo índice IPCA do IBGE. "Vamos adequar a taxa de juros e as outras políticas que nós temos a esse objetivo", afirmou Figueiredo. "Se a taxa ficar em 19%, ela vai ficar em 19% e se ela tiver condições de cair um pouco mais ela vai cair", acrescentou o diretor do BC. Segundo Figueiredo, as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) são "à prova de pressões e absolutamente técnicas." Ele vê com naturalidade as críticas de economistas à condução da política de juros do BC. "Sempre terão essas críticas e sempre vai se achar que a cautela é excessiva ou não", ponderou. Figueiredo comparou a ação do BC na condução da política monetária a de um juiz de futebol: "Mesmo um juiz que foi perfeito no jogo, e não fez um erro, não há dúvida que muita gente vai achar que ele foi muito ruim e outros acharão que ele foi muito bom", disse. "Não tem jeito é assim", afirmou. O diretor lembrou que o Banco Central chegou a ser criticado por estar reduzindo os juros muito rapidamente. "Muita gente ficou na dúvida quando nós diminuimos a taxa de juros ao longo do primeiro semestre do ano passado", disse. "Mas nós fizemos porque tínhamos um grau de certeza grande para fazer e não tenho dúvida que foi acertada", acrescentou. O diretor do BC ressaltou também que, no último trimestre do ano passado, a inflação estava acima do que se esperava e, apesar disso, a taxa de juros foi mantida em 19%. "A taxa ficou em 19% porque achávamos que era uma série de choques de oferta e que depois iria recuar, o que aconteceu ao longo de janeiro e fevereiro", justificou. Mercado - Na entrevista à Agência Estado, o diretor do BC disse também que o mercado financeiro já entendeu como o Banco Central trabalha a sua política monetária. "Tanto que a diferença do que o mercado espera para o que o BC faz é sempre pequena", ressaltou Figueiredo. Segundo ele, essa compreensão maior se deve ao fato de o BC estar trabalhando com um grau de transparência nas suas informações e análises, principalmente com a divulgação da ata do Copom. "Dessa forma o sistema sabe quais são os riscos e os receios que estão na nossa cabeça", disse.