Taxa de juros básicos deve ser mantida pelo Copom
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por William Salasar 
São Paulo, 18 (AE) - A aparente estabilidade do mercado de ações americano não mudou a expectativa dos empresários e economistas em relação ao resultado da reunião de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom), que é de manutenção da taxa básica do overnight em 18,5%.
"O dado fundamental não é a volatilidade das bolsas americanas, e sim que a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) veio alta, o que pode levar o Federal Reserve (o banco central americano) a subir os juros mais do que se esperava", reiterou o economista-chefe do Banco ABN-Amro, Rubens Sardenberg. "Seja por conta das bolsas, seja por causa dos juros, o problema principal é o cenário externo indicando uma perspectiva de redução de liquidez para os países emergentes
o Brasil incluído", reforçou o consultor da LCA Bernard Appy, professor da PUC-SP.
Sardenberg lembrou que, apesar de o câmbio flutuante absorver a maior parte do choque externo, não significa um total insulamento da política monetária nativa em relação às decisões do Fed, pois, se ficou livre de precisar atrair capitais de curto prazo, o chamado "hot money", não prescinde do fluxo internacional de capitais de médio e longo prazo. "Mas se ainda estivessemos sob o regime do câmbio fixo, os juros certamente já teriam passado de 25%."
Além disso, segurar uma redução do juro básico, agora, daria tempo ao BC para esperar a próxima divulgação dos índices de inflação americanos, no início de maio, e a reunião do Comitê Federal de Mercado (Fomc, na sigla em inglês) - o homólogo do Copom - em seguida, para ver o que Alan Greenspan vai fazer, se vai manter as elevações de 0,25 ponto porcentual, ou se subirá mais 0,50 ponto porcentual a taxa básica dos chamados federal funds.
Já para Appy, mesmo que o Fed siga a política gradualista de elevar a taxa de juros básica em 0,25 ponto porcentual, o BC terá de manter a taxa do over alta, porque a própria política econômica vigente mantém o País numa vulnerabilidade externa grande.
O ex-presidente do Banco Central Carlos Geraldo Langoni, considera a situação curiosa. O comportamento da inflação brasileira é favorável, o que poderia levar o Banco Central a reduzir a taxa Selic, mas a instabilidade nas bolsas deverá levar a uma posição conservadora. "O BC deverá manter, 18,5%, mas com viés de baixa, "para não criar uma onda muito negativa".
Entre os bancos, a taxa de juros para daqui a um ano nas operações de "swap" (permuta) de taxa prefixada mantinha-se em torno de 19% a 19,25%. E os títulos que o Tesouro leiloou hoje, como em toda terça-feira, foram arrematados por taxas acima de 19%, pela segunda semana consecutiva. No fim de março, o mercado aceitava e negociava taxas inferiores a 18,5% ao ano, porque a expectativa era de que o Banco Central iria continuar reduzindo gradativamente o juro básico, dadas as condições salutares da economia, sobretudo no tocante à inflação e às contas públicas. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


