São Paulo, 8 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso tem razão quando diz que "nunca a taxa de juro real esteve tão baixa" se o período considerado for o do Plano Real. A taxa real corresponde à parcela do juro que ultrapassa a inflação. Neste ano, pelos cálculos da economista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM), Gina Baccelli, a taxa Selic, a que é usada nas operações feitas entre o Banco Central e os bancos, com títulos públicos, deve ficar em torno de 25% ao ano em termos nominais.
Descontando-se daí a inflação, projetada para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), de 8%, a taxa real no ano deverá ficar ao redor de 16%. Em 94, a taxa real ficou em 24%; em 95, em 25%, em 96, em 16,96%; em 97, em 19,97%; em 98, em 26,5%.
Mais importante do que apenas comparar esses números, segundo a economista, é enxergar a sinalização do Banco Central de que a taxa real caminha para algo em torno de 10% ao ano. "Os números deste ano ainda estão carregados pelas altas taxas do início do ano, mas se considerarmos as projeções para o segundo semestre, a taxa real deverá ficar perto de 4,8% em seis meses ou ao redor de 10% no ano."
Para chegar a esses dados, Gina considerou uma projeção de inflação de 3,9% para o período, e de 8,9% para a taxa acumulada do Selic. "As taxas reais ainda estão altas se comparadas com a de países desenvolvidos, como a de 3% nos Estados Unidos, mas esses 10% podem ser considerados baixos para países emergentes."
A economista ressalta que nos últimos 12 anos a taxa de juro chegou a ser negativa em 1987 (-12%) e em 1990 (-20%). Mas como foram períodos de inflação galopante a comparação entre aquelas taxas e as atuais pode trazer distorções. Ela lembra, ainda, que em 1989 a taxa real ficou positiva em 33%: "Foi uma tentativa de impedir uma hiperinflação." Em 91, a taxa real de juros foi de 9,8% e em 93, de 12%.
A preocupação maior do presidente, neste momento, talvez não seja com essas taxas Selic, cobradas entre bancos, mas sim com as taxas de crédito que são bem mais altas e resistem a cair
por conta do risco frente à inadimplência. Só que somente com uma redução das taxas no crédito é que será possível dar algum gás para a economia.

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