Curitiba- Enquanto a Floresta Amazônica leva a fama internacional por seu tamanho e pelas polêmicas envolvendo sua proteção e conservação, a Mata Atlântica reúne números impressionantes. Considerado o bioma (conjunto de seres vivos de uma área) mais rico em biodiversidade do planeta, já correspondeu a cerca de 15% do território brasileiro, englobando 17 estados, além de Paraguai e Argentina. Ameaçada constantemente pela ação humana - 70% da população brasileira estão concentradas em regiões de domínio da Mata Atlântica - cerca de 93% de sua formação original já foram devastadas.
Ricardo Britez, biólogo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), lembra que a maior parte do que restou da floresta está no litoral do Paraná e litoral sul de São Paulo.
Ontem, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgaram a conclusão dos levantamentos do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. Segundo Marcia Hirota, coordenadora do Atlas pela fundação, entre 2000 e 2005, houve uma redução de 69% na taxa de desmatamento comparada ao período anterior, mas a avaliação recente indica aumento no ritmo de destruição da floresta nos últimos dois anos.
Segundo dados da SOS Mata Atlântica, em sua área, existem sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras. Sua fauna riquíssima em espécies abriga animais como o mico leão dourado, onça pintada, bicho preguiça e capivara. São conhecidas 261 espécies de mamíferos, 1020 espécies de pássaros, 197 de répteis, 340 de anfíbios e 350 de peixes no bioma - sem contar insetos e demais invertebrados.
A Mata Atlântica abriga hoje 383 dos 633 animais ameaçados de extinção no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Outro dado lamentável: uma em cada quatro espécies endêmicas (de ocorrência limitada à região) do bioma está ameaçada de extinção. A floresta é um dos 25 hotspots (áreas reconhecidas como as prioritárias para conservação) de biodiversidades do mundo.
A Mata Atlântica detém o recorde de plantas lenhosas por hectare e de quantidade de espécies em vários outros grupos de plantas. Atualmente a preservação acontece principalmente dentro das unidades de conservação (UC). Mas, muitas vezes, as UCs existem só no papel: o poder público decreta a criação sem dar condições para que cumpram as funções.
A proteção da fauna da Mata Atlântica está prevista na Constituição Federal pela lei 5.197/67 e pela Lei de Crimes Ambientais. A área foi declarada patrimônio nacional em 1988.

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