São Paulo, 02 (AE) - O polêmico trabalho sobre o desemprego no mundo, elaborado pelo professor de Economia do Trabalho da Universidade de Campinas, Márcio Pochmann, apresenta também comparações de taxas de desemprego, e não apenas número de pessoas desocupadas. A acusação de que o trabalho não tem fundamento porque teria lidado apenas com números absolutos de desempregados voltou a ser feita hoje pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, mas não procede.
O trabalho de Pochmann foi apresentado no dia 26 deste mês. No texto, Pochmann mostra que a taxa de desemprego aberto nas nações desenvolvidas aumentou 53% entre 1975 e 1999 (de 4 04% para 6,18%). Contudo, nos países não desenvolvidos, a taxa subiu 200%, pois passou de 1,79% em 1975 para 5,3% em 1999. "No mesmo período", diz o estudo, "o Brasil destacou-se por ter sua taxa de desemprego aberto aumentada em 369,4%, passando de 1 73% em 1975 para 9,85% em 1999.
O dado brasileiro é da pesquisa por amostra de domicílio do IBGE. Em relação aos demais países, foram utilizados números e percentuais divulgados por instituições como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização de Cooperação Econômica e Desenvolimento (OCDE), Nações Unidas (ONU), Banco de Desenvolvimento da ásia, Ofício de Estatística das Instituilções Européias e outros.
Pochmann também apresentou muitos outros dados, relativos e absolutos, para fundamentar seu estudo, cuja versão reduzida, apresentada para os jornalistas, tem 20 páginas. Ao todo, ele pesquisou dados de 141 países.