Rio, 23 (AE) - A taxa de dezembro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), de 0,91%, ficou acima do esperado, segundo o economista Luiz Roberto Cunha, membro do conselho consultivo formado pelo IBGE para avaliar a metodologia de cálculo do IPCA. "O índice de dezembro mostrou que ainda há pressão no item alimentos, apesar da tendência de queda dos preços", explicou. Isso altera a estimativa de que o IPCA de 1 a 31 de dezembro fosse de 0,60%.
Em outubro, o IPCA-E foi de 0,80% e em novembro, de 0 99%. Se o IPCA de dezembro ficasse no patamar esperado por Cunha
o índice fechado do ano seria de quase 9%. Agora, deve ficar um pouco acima disso. "Mas não há a menor chance de passar de 10%", frisou. O Banco Central fixou uma meta de inflação de 8% para 1999, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Cunha afirmou que, em janeiro, o reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo, por exemplo, vai pressionar a inflação. O índice ao consumidor no País deve ficar entre 0,5% e 1% no mês que vem. Em relação às metas trimestrais para os doze meses encerrados em março, junho, setembro e dezembro de 2000 - 7,5%, 7%, 6,5% e 6%, respectivamente, também com folga de dois pontos -, a inflação deve ficar "na margem superior, durante o primeiro semestre", acredita. "Mas não haverá problemas para o mercado, desde que os resultados fiscais estejam na meta". O IPCA-E de 1999 foi 7,26 pontos percentuais acima do 1,66% registrado no ano passado. O grupo que teve a maior alta este ano foi o de transportes, com 21,09%. Os preços da gasolina subiram 56,94% e o álcool foi reajustado em 33%. A variação do grupo comunicação foi de 9,25%, por causa do aumento de 9,39% nas tarifas de telefones fixos. As despesas com artigos farmacêuticos cresceram 17,69%. A alta de alimentação foi de 7,56%, enquanto aparelhos de televisão subiram 23,26% e gás de bujão, 54,97%. Os menores aumentos foram registrados em artigos de vestuário (4,14%), educação (3,89%) e despesas pessoais (2,57%).

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