A população brasileira continua crescendo, agora com menor intensidade que no ano passado, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados nesta quarta-feira (28). Segundo o instituto, o Brasil tem agora 210,1 milhões de habitantes, representando um crescimento de 0,79%, taxa menor que a referência do ano passado, que foi de 0,82%. As Estimativas da População 2019 mostram que as cidades que mais crescem possuem entre 100 mil e 1 milhão de habitantes.

A redução do crescimento em relação ao ano passado reflete uma tendência que tem sido observada ao longo do tempo. “Se deve principalmente em função da queda da taxa de fecundidade ocorrida nas últimas décadas no País e desse processo do envelhecimento da população, que mudam o perfil e influenciam no ritmo do crescimento. A população é cada vez mais velha, as famílias cada vez menores e esses fenômenos impactam no crescimento”, afirmou Márcio Minamiguchi, pesquisador do IBGE.

A distribuição também revela um padrão de comportamento diferente do passado. As cidades entre 100 mil e 1 milhão de habitantes concentram a maior taxa de crescimento. Londrina está nesse perfil - a cidade está na 18ª colocação dos municípios situados no interior que têm mais de 500 mil habitantes. "No passado, havia uma concentração muito maior da economia nas capitais. Apesar de continuar, a gente assistiu o crescimento maior em outros polos do interior dos Estados. A desconcentração leva para maior atividade dessas regiões. Além disso, essas cidades ainda têm setores a serem explorados, quando as grandes metrópoles já possuem oferta saturada, fazendo com que se busque oportunidades em polos intermediários”, explicou.

As cidades em torno das grandes metrópoles também ajudaram a alavancar essa média de crescimento. “No caso das cidades que já são muito ocupadas e verticalizadas, com poucas áreas para expansão urbana, a tendência é de que os preços imobiliários subam, porque elas ainda concentram a oferta de trabalho, bens e serviços. Por esse motivo, as cidades em torno de grandes áreas metropolitanas crescem mais que o núcleo”, comentou Minamiguchi. Nesse padrão, estão cidades como Guarulhos e São Bernardo do Campo, que ficam ao redor da capital paulista, por exemplo.

O município de São Paulo continua sendo o mais populoso do País, com 12,25 milhões de habitantes. Depois dele, vêm Rio de Janeiro (6,72 milhões), Brasília (3 milhões) e Salvador (2,9 milhões). Serra da Saudade, em Minas Gerais, é a menor cidade, com 781 moradores. O Sudeste concentra os três Estados mais populosos. São Paulo concentra 21,9% da população total do País, com 45,9 milhões. O Paraná quase empata com o Rio Grande do Sul (11.377.239) e é o Estado mais populoso da Região Sul, com 11.433.957 habitantes. “O Paraná cresceu 0,75%, enquanto o Rio Grande do Sul, 0,42%. Os gaúchos possuem uma população idosa maior, isso faz com que eles tenham mais óbitos; e o Paraná tem uma maior quantidade de mulheres em idade reprodutiva”, explicou o pesquisador. (L.T.)

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