São Paulo, 27 (AE) - O saldo do balanço de pagamentos em dezembro de 1999 no País registrou um déficit de US$ 6 bilhões. No acumulado do ano, o resultado gerou uma variação negativa de US$ 7,8 bilhões.
Apesar do desempenho fraco, o indicador ficou com saldo bem superior ao registrado no acumulado de 1998, quando apresentou déficit de US$ 16,8 bilhões. Os dados estão do Boletim de Câmbio da Funcex (Fundação e Centro de Estudos de Comércio Exterior), divulgado hoje (27).
Os indicadores mostram que a valorização de 4,5% da taxa de câmbio nominal em dezembro, juntamente com o diferencial elevado entre a inflação doméstica e a inflação americana dos preços no atacado, fez com que o índice cambial real da moeda brasileira em relação ao dólar tivesse acréscimo de 6,6% no mês. Segundo o boletim, ficou elevado a seu nível mais baixo desde janeiro.
O mau desempenho do balanço de pagamentos em dezembro ocorreu, principalmente, em razão do preço do petróleo e da queda do valor das importações. Segundo avaliação do Boletim Funcex, esses motivos não devem se repetir com mais frequência.
O comportamento dos investimentos, empréstimos e amortizações estão se mantendo estáveis, o que caracteriza, segundo os dados, um cenário de normalidade para os próximos meses. Esta percepção leva, então, à queda na cotação do câmbio. A possibilidade é de que a taxa se mantenha em torno de R$ 1,80, com leve tendência de valorização.
O boletim destaca que a taxa de câmbio deve permanecer sujeita a expressivas oscilações de curto prazo. Segundo ele, o Brasil ainda se depara com incertezas relativas à velocidade de recuperação da balança comercial e ao possível aumento dos índices de juros norte-americanos.
Estes indicadores, somados ao saldo negativo de 11,4% da taxa de preços de exportação, resultaram, também, na variação negativa do índice de rentabilidade das exportações, de 4,6% em dezembro, que registrou, ano acumulado do ano, variação positiva de 12,5%.
A recuperação dos preços de exportação deve permitir, entretanto, ganhos mais expressivos de rentabilidade em 2000.
Embora a necessidade de financiamento externo do Brasil seja ainda elevado - com tendência de cair lentamente - a melhoria dos cenários interno e externo e a manutenção da taxa de juros em níveis elevados estão garantindo, de alguma forma, crescente equilíbrio do fluxo de divisas. As tendências, na avaliação dos economistas da Funcex, são favoráveis e, na ausência de choques externos de maior proporção, o "País deve caminhar em direção a um ajuste estrutural de suas contas externas".

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