Brasília, 9 (AE) - O secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, disse hoje à Agência Estado que a aceitação da taxa de juros máxima de 26,08% e juro médio de 25,65% para as LTNs de um ano colocadas ontem no mercado não deve ser interpretada como alteração da trajetória de redução das taxas de juros por parte do governo. Barbosa lembrou que o papel do Tesouro junto ao mercado não deve ser confundido com o do Banco Central, responsável pela política monetária.
Na avaliação do secretário, não é correta a análise do mercado de que o fato de o Tesouro ter aceito um juro maior que a meta da taxa over/selic de 21% significa uma mudança de rumo na condução da política monetária. "O Tesouro vende papéis toda semana e já vendeu a taxas mais baixas também", ponderou. Ele insistiu que o Tesouro "é um tomador de preço no mercado e que a política monetária é definida pelo Banco Central, por meio de seus instrumentos".
"O Tesouro Nacional, como qualquer entidade que não seja o Banco Central, vai ao mercado financeiro para buscar recursos ou oferecer recursos. O Tesouro não tem o papel de fixação de taxa de juro. Esse papel de política monetária é do Banco Central", disse o secretário do Tesouro.
A taxa de juros máxima de 26,08% para as LTNs de um ano representou, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, um consenso do mercado. Barbosa admitiu que o mercado ofereceu um patamar mais elevado para os juros, mas insistiu que no leilão não houve dispersão de taxas para os papéis de um ano. Ele lembrou que na próxima semana, o Tesouro estará realizando outro leilão e o resultado pode ser outro. "As taxas oscilam na medida em que refletem as circunstâncias do mercado", comentou lembrando que, ontem, o mercado "estava tenso" devido às incertezas sobre a cobrança da CPMF, cenário externo e "outras situações".
A oscilação das taxas de juros, na avaliação do secretário do Tesouro, é uma característica do próprio mercado. "O que não pode mudar é a estratégia do Tesouro na condução da política para a dívida pública e sua relação com os investidores", ponderou.
Por isso, segundo ele, o que importa do resultado do leilão de ontem não é a questão de se apostar que o Tesouro aceitou para um juro maior para conferir credibilidade às LTNs de um ano. "Mas a credibilidade do emissor", disse Barbosa chamando atenção para o fato de que o Tesouro não pode atuar sempre apostando que o mercado estará se comportando a partir das premissas consideradas pelos operadores do Tesouro. "A relação com os investidores não pode ser alterada ao sabor do comportamento do mercado", disse. "O mercado é volátil. A função do Tesouro é demonstrar uma ação transparente, que tem rumo, que tem norte. Desta vez, se pagou um preço mais alto, mas outros leilões serão realizados".

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