Taxa da Foztur desmotiva turista
Ney de SouzaPERFILNome: Nilson de Nadai
Idade: 40 anos
Onde nasceu: Foz do Iguaçu
Estado civil: separado
Ocupação: hoteleiro
Cargo atual: diretor regional daTaxa da Foztur desmotiva turista
Valmir Denardin
A taxa de turismo cobrada pela Foztur (órgão encarregado de fomentar a atividade em Foz do Iguaçu) é inconstitucional, não está sendo usada para a finalidade que foi criada e desmotiva o turista de escolher a cidade no momento de programar uma viagem. Essa é a opinião do diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Nilson de Nadai.
Criada em 1992 por lei municipal, a taxa de turismo cobra R$ 1,90 dos hóspedes dos hotéis nos dois primeiros dias em que eles permanecem na cidade. Até 31 de julho, a taxa era cobrada também em um posto do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) na BR-277, na entrada da cidade, de todos os visitantes que chegavam a Foz em ônibus de turismo.
A cobrança foi suspensa por determinação judicial no início deste mês. A Procuradoria da República entendeu que o tributo, que é municipal, não poderia ser cobrado em um imóvel pertencente à União (o posto do DNER).
Em entrevista à Folha, Nadai anunciou uma rebelião do setor hoteleiro contra a cobrança. O empresário, que é dono do Hotel Nadai, abordou também a classificação dos estabelecimentos que está sendo feita pela ABIH.
FolhaQual é a posição da ABIH em relação à cobrança da taxa de turismo?
Nilson de NadaiSomos radicalmente contra porque ela onera o próprio turista. O turista deveria receber benefícios para visitar a cidade e não pagar por isso. Além de sermos contra a cobrança em si, também somos contra a forma como ela é feita. Hoje somos considerados empregados do município para fazer a cobrança. Além de penalizar o turista, isso também penaliza o empresário.
FolhaHá avaliações de quanto a taxa de turismo representa na despesa de um turista em Foz?
NadaiEsse custo é relativo. Tem uma repercussão muito pequena para um hóspede de hotel cinco estrelas. Mas para quem fica em um hotel de menor categoria, chega a representar de 10% a até 20% do custo da diária.
FolhaA cobrança da taxa de turismo reduz a vinda de turistas para Foz?
NadaiAntes de viajar, o turista sempre faz a previsão de quanto vai gastar. Nesse contexto, a taxa de turismo contribui para aumentar o custo da viagem e desmotivar o turista de vir para Foz do Iguaçu.
FolhaO senhor considera essa cobrança inconstitucional?
NadaiO próprio poder público já tomou consciência de que é uma taxa inconstitucional e o Ministério Público está movendo uma ação para extingui-la. Hoje é mais fácil criar um tributo do que reduzir custos ou administrar o órgão público de forma mais eficiente.
FolhaA ABIH vai recorrer à Justiça para extinguir a taxa?
NadaiEstamos negociando com a Foztur para a extinção da taxa ou a uma forma que atenda aos dois interesses. Da forma que está hoje, não atende nem a expectativa da própria Foztur e nem do segmento hoteleiro. O objetivo principal da taxa é a divulgação do destino turístico Foz do Iguaçu. Mas hoje a totalidade dos recursos da taxa de turismo está sendo aplicada no custeio da Foztur. Nós não concordamos com isso, porque o custeio é de competência do município.
FolhaComo está o setor hoteleiro de Foz hoje?
NadaiPrecisamos separar a hotelaria da cidade em dois segmentos: o que está voltado para o atendimento de turistas e o que está voltado para os compristas. No primeiro, os hotéis cinco e quatro estrelas não passam por nenhuma dificuldade. No segundo segmento, os hotéis passam por uma crise grave, porque sua ocupação é baixíssima e o custo operacional é elevado. Por isso, eles estão passando por um processo de sucateamento. Mas, no geral, a hotelaria já mostra sinais de recuperação, com sinais de crescimento nas taxas de ocupação.
FolhaÉ comum a reclamação de que os serviços dos hotéis de Foz são ruins. O senhor concorda com essa opinião?
NadaiNão. Os serviços dos hotéis de Foz estão no mesmo nível ou até num nível melhor do que outros centros turísticos do País. Não posso dizer isso em relação a todos os hotéis de Foz. Mas o setor voltado ao atendimento do turista tradicional está muito bem, tanto na parte de serviços como na parte de estrutura e instalações. O sucateamento é localizado em poucos estabelecimentos destinados a atender sacoleiros.
FolhaComo o senhor avalia o projeto de turismo econômico (que quer trazer para Foz visitantes de baixo poder aquisitivo para se hospedar nos hotéis que atendiam sacoleiros)?
NadaiÉ um projeto interessante que, se bem executado, pode ter sucesso. Vai depender agora, na elaboração dos pacotes, se o custo vai viabilizar a vinda desses turistas.
FolhaO senhor acha que Foz do Iguaçu é mal divulgada como destino turístico?
NadaiA divulgação institucional de Foz é muito baixa. Um bom produto na prateleira, sem divulgação, não vende. Temos um produto inigualável, o que falta é despertar o interesse do nosso consumidor, o turista. A responsabilidade disso não é só do poder público, mas também dos empresários.
FolhaComo está o processo de classificação dos hotéis adotado pela ABIH?
NadaiHá um ano e meio, a ABIH adotou um sistema de auto-qualificação, com as categorias econômica, simples, turística, superior e luxo superior (por asteriscos). Pelo sistema de classificação da Embratur (por estrelas), no Sul do Brasil só existe um hotel classificado, um quatro estrelas de Curitiba. Pela ABIH, no Paraná já há 67 hotéis qualificados. Somos contra o sistema da Embratur porque ele interfere no mercado. É o cliente que deve dizer se o hotel é bom. Pela ABIH, o próprio estabelecimento se auto-qualifica, apontando os serviços que está prestando. Quando o consumidor chega, pode conferir. Hoje o consumidor está muito exigente. Não há como um hotel se classificar em uma categoria e prestar serviços de uma outra porque quem estaria perdendo seria o próprio estabelecimento. A ABIH está negociando com a Embratur uma forma de unificar as duas classificações, porque não houve uma adesão maciça a nenhum dos dois sistemas. No Brasil, há 18 mil hotéis. A Embratur não conseguiu classificar 1% desses hotéis. O sistema da ABIH só atingiu cerca de 4%.
FolhaQuantos hotéis de Foz já foram classificados pela ABIH?
NadaiHoje temos 12 hotéis qualificados entre os 22 associados - que representam cerca de 50% dos leitos da rede. Consideramos esse número pequeno.
FolhaComo a ABIH fiscaliza os serviços prestados por seus associados?
NadaiEm todos os quartos há um formulário com porte pago, em que o próprio cliente avalia os serviços. Esses formulários vão para a ABIH nacional que, com base na opinião dos hóspedes, vai manter ou retirar a classificação no ano seguinte.





