Tavares se diz surpreso com Noronha
APARIÇÃO
Tavares se diz surpreso com Noronha
Luciana Pombo
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O secretário da Segurança, José Tavares, disse ter sido pego de surpresa pela entrevista do delegado-geral exonerado João Ricardo Képes Noronha ao jornalista José Maschio, publicada ontem no jornal Folha de S. Paulo. O que me tranquiliza é saber que estamos atuando com rigor. Se eu achar que alguém está dificultando a prisão de Noronha, eu vou afastar, afirmou o secretário. No Palácio Iguaçu, a repercussão da entrevista não chegou a gerar turbulências. A assessoria do governador Jaime Lerner informou ontem que ele não chegou a tomar conhecimento da matéria. A única decisão do governador foi, conforme a assessoria, a de não se manifestar sobre uma pessoa que é foragida da Justiça.
Noronha concedeu a entrevista num apartamento de classe média, conforme a Folha de S. Paulo, na madrugada de anteontem por mais de três horas. Assim como o ex-secretário da Segurança Cândido Martins de Oliveira, o ex-delegado geral acusou a CPI de agir como um tribunal de exceção, quando esteve no Paraná. Noronha afirmou que os deputados deram credibilidade a pessoas condenadas e que a ordem de prisão temporária expedida contra ele foi baseada em provas viciadas.
Noronha alega que continua foragido porque o major Waldir Copetti Neves, ex-comandante da P2 (o serviço de inteligência da Polícia Militar do Paraná) teria ajustado a morte dele no momento em que fosse preso ou se entregasse, simulando uma reação. Atual chefe de operações do Comando de Policiamento do Interior, major Neves não deu entrevistas para responder às acusações. Ele afirma que nada tem a falar sobre o assunto.
Tavares não acredita em acordo das polícias civil e militar para tirar a vida do ex-delegado geral. Tenho autoridade sobre as duas polícias e posso assegurar que isso não tem o menor sentido, garantiu. O delegado Noronha é um homem que sabe como ninguém como se esconder da polícia. Ele já foi delegado operacional e um dos melhores. Mas eu tenho a certeza que ele será preso a qualquer momento, apostou o secretário.
O atual delegado geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, admite, porém, a possibilidade de policiais civis estarem repassando as informações internas da corporação e o andamento das investigações sobre o paradeiro de Noronha (ver texto abaixo). Ele deve mesmo ter fontes na Polícia Civil. Não descartamos isto. O difícil é levantar quais são estas pessoas, declarou.
Uma comissão composta de três delegados de primeira classe (Alex Danevick, Paulo Ernesto Araújo Cunha e Luiz Alberto Cartaxo Moura) é responsável pelas investigações e pela prisão de Noronha. A comissão conta com o apoio de policiais civis, cujos nomes estão sendo mantidos em sigilo. Nossas investigações já apontavam para Curitiba e Região Metropolitana. Ele tem um forte rol de amizades por aqui. Estamos tentando localizá-lo para efetuarmos a prisão, declarou o delegado Cartaxo, que atualmente também responde pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
Noronha está foragido desde o dia 2 de março, quando foi decretada sua prisão provisória por 30 dias, porque ele se negou a depor na CPI do Narcotráfico. Nos depoimentos, o ex-delegado-geral foi citado como um dos principais responsáveis pelo acobertamento de vários investigadores e delegados da Polícia Civil envolvidos no crime organizado (corrupção, extorsão, tráfico de cocaína e roubo e desmanche de carros).





