São Paulo, 20 (AE) - O vereador Arselino Roque Tatto (PT) negou hoje ter se apropriado do salário de funcionários, conforme apontou o inquérito policial em que o vereador foi indiciado por peculato. Segundo Tatto, a doação de parte dos salários dos empregados de seu gabinete é uma norma estabelecida pelo Partido dos Trabalhadores. "Cada gabinete de vereador do PT precisa repassar mensalmente R$ 13 mil da massa salarial dos funcionários para o partido", afirmou. "Esse dinheiro não fica para mim, é depositado na conta do PT."
Tatto disse que a doação é feita com a concordância dos funcionários. Perguntado se achava justo o dinheiro público ser entregue para um partido político, o vereador disse que "o dinheiro é público, mas quando o salário é pago aos funcionários torna-se privado". A partir daí, teria o destino que cada trabalhador quisesse. "Como os funcionários são militantes, eles contribuem espontaneamente."
Um ex-motorista do gabinete de Tatto, Antônio Pereira dos Santos, contou à polícia que não concordava com o devolvimento do dinheiro. Para Tatto, há rixas pessoais nas denúncias. "Esse motorista bateu o carro de minha mulher, a gente registrou o boletim de ocorrência, e ele partiu para retaliações", disse.
No inquérito da 1ª Delegacia de Crimes Funcionais, duas funcionárias - Patrícia Barros e sua mãe, Terezinha - afirmaram que, embora lotadas no gabinete do vereador, só apareciam na Câmara uma vez por semana. Ambas entregavam parte do salário ao PT. O vereador afirmou hoje que as duas realizavam "trabalhos externos" para o gabinete. "Elas verificavam os problemas nos bairros e agendavam encontro com lideranças", disse. "Não há nada de errado nisso, tanto que continuo fazendo."
O vereador também rebateu as acusações da polícia de que teria patrimônio acima de sua renda. "Tenho uma casa e um apartamento, cada um no valor de R$ 60 mil", disse. "Eu não sou rico."

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