São Paulo, 10 (AE) - O governador do Ceará, Tasso Jereissati, disse não entender por que se criou "tanta celeuma" sobre a concessão de incentivos para a instalação da Ford na Bahia. Segundo ele, várias empresas em outros Estados já receberam incentivos do governo e "nunca" se travou uma discussão tão polêmica como a do momento.
"É fundamental a ida de uma montadora para o Nordeste", afirmou o governador, que divulgou nota conjunta com governadores do Norte e do Nordeste em favor da concessão dos incentivos para Ford.
Ao saber que o governador de São Paulo, Mario Covas, dissera que uma possível sanção do projeto pelo presidente da República em favor dos incentivos para a Ford era uma "aberração", Tasso disse que se essa é a opinião de Covas. Ele tem outra.
O governador do Ceará tentou minimizar uma polêmica com o colega alegando que esta "não é uma questão partidária". "Não acredito que o governador Mario Covas tenha se posicionado contra a Ford na Bahia. Talvez ele tenha outros pontos contra os incentivos", ponderou.
Minutos depois, Covas voltou a se posicionar contra uma possível decisão do presidente da República a favor dos incentivos. "Isso é pior do que guerra fiscal", declarou o governador, alegando que na guerra fiscal um Estado concede uma vantagem prejudicando outro. Nesse caso, a União estaria dando uma vantagem apenas para um Estado. "Por que só para a Bahia? Por que não para São Paulo ou para o Mato Grosso?", indagou o governador.
Os governadores deram as declarações na noite de ontem, durante a festa de inauguração da Sala São Paulo, parte do Conjunto Cultural Júlio Prestes.
Reforma ministerial - Tasso Jereissati defendeu uma reforma ministerial que mude a orientação da base política e também administrativa do governo. De acordo com ele, a mudança visaria não apenas a uma melhora na popularidade do presidente, como também uma coesão administrativa e política do governo. Tasso acha, no entanto, que apenas o presidente sabe quando e como fazer essa reforma.
O governador de São Paulo, Mario Covas, falando minutos depois
reforçou esse raciocínio dizendo que cabe ao presidente da República decidir sobre o assunto sozinho. "Eu, quando nomeio meu secretariado, não pergunto nada a ninguém", afirmou Covas, admitindo, no entanto, que é preciso uma definição rápida sobre o assunto, já que quando se discute uma reforma, ocorre uma paralisação política à medida que os ministros temem pela permanência ou não no governo.
O governador paulsta admitiu que poderá ter uma reunião durante o dia de hoje com o presidente da República para discutir assuntos políticos. Fernando Henrique Cardoso só deve seguir para Brasília às 17h.

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