São Paulo, 20 (AE) - O governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), atacou hoje colegas que participaram da reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no sábado, e assumiram discurso diferente do acertado no encontro. A contradição estaria em condicionar o apoio às duas emendas constitucionais acordadas - para a retomada da contribuição previdenciária dos inativos e a criação de um subteto para os salários do funcionalismo estadual - a qualquer tipo de contrapartida do governo federal. Da mesma forma, Tasso quer o empenho dos governadores para convencer as bancadas estaduais a aprovar as emendas.
O governador recusou-se a identificar o alvo de suas críticas. Durante uma palestra para integrantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, disse que "alguns dos (governadores) mais desesperados" com o problema da contribuição dos inativos "quando saíram da reunião tinham discurso completamente diferente".
"Nem todos assumiram o mesmo discurso", afirmou Tasso. "Não estou me referindo a ninguém, mas é necessário levar a vontade e a necessidade crucial dos Estados para as bancadas, a fim de que sejam coerentes com o Executivo." E completou: "Do contrário fica uma grande farsa: no Executivo é uma coisa e a bancada faz outra coisa diferente." O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), foi o principal crítico da reunião. Disse que o presidente estaria "usando" os governadores para defender as emendas, mas não atendeu nenhuma das promessas feitas aos Estados. O governador Mário Covas (PSDB), por sua vez
cobrou do presidente "maior frequência" nas negociações conjuntas com governadores e o apoio a ações de interesse dos Estados pendentes de votação no Congresso. Segundo Covas, o presidente Fernando Henrique Cardoso teria mais influência sobre a bancada paulista do que ele próprio. Tasso também quer do governo federal uma relação mais próxima com os Estados. "Isso depende de iniciativa dos dois lados, mas muito da equipe econômica também", declarou. "Até o momento, essa relação foi muito conflitante e não houve uma resposta rápida entre os interesses do Estado e da União."

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