Brasília, DF - Negando que pretenda desmontar projetos iniciados pelo ex-ministro Cristovam Buarque (PT-DF) no ano passado, Tarso Genro apresentará na quarta-feira a reestruturação que vem fazendo no Ministério da Educação desde que assumiu, no final de janeiro.
Segundo o ministro, as mudanças servirão para articular programas de inclusão educacional com a melhoria da qualidade do ensino básico, por meio da criação do Fundeb (um novo fundo de financiamento da educação), e a reforma universitária.
''Estamos dando um passo à frente. Para isso, vamos reestruturar o MEC. Não se trata de uma política pontual para gerar fatos políticos imediatos. Se trata de mexer na estrutura'', disse Tarso.
Na semana passada, Tarso anunciou a prefeitos reunidos em Brasília que vai alterar o programa Brasil Alfabetizado, um dos principais projetos de seu antecessor. Pode haver redução do número de alunos a serem alfabetizados para tentar melhorar a eficácia. Também deve ser ampliado o prazo do curso, de seis para oito meses.
A medida levou o senador Cristovam Buarque a dizer que estava preocupado com a ''mudança de rumo e compromisso'' no programa de alfabetização. Nas alterações do MEC, Tarso deve fundir duas secretarias _a de Inclusão Educacional e a de Erradicação do Analfabetismo.
Por outro lado, a Semtec (Secretaria de Educação Média e Tecnológica) deve ser desmembrada. O objetivo é criar uma estrutura para cuidar da educação profissional, atualmente sob a responsabilidade da Semtec.
Já está pronta na secretaria uma minuta de decreto, a ser encaminhada à Casa Civil, propondo regulamentar a articulação entre ensino médio e profissional.
O ministro da Educação disse também que ''todos os ministros, sem exceção, estão fazendo readequação do Orçamento para utilizar os recursos com a máxima potencialidade''.
Com isso, afirmou que não reclamou de falta de verba, na semana passada, mas defendeu um novo perfil estratégico de gastos.
Nesse perfil, Tarso inclui a criação do Fundeb, um fundo para financiar o ensino básico e que substituirá o atual Fundef (fundo do ensino fundamental).
Sem saber de onde viriam os recursos para o novo fundo, já que incluirá alunos da educação infantil e média, Tarso afirmou que até julho entrega a proposta.
''Antes de dizer de onde vem (o recurso), temos que saber qual será o conceito. Se não fica uma política que não gera efeito.''

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