Brasília, DF - Menos de dois meses após assumir o cargo, o ministro da Educação, Tarso Genro, repetiu seu antecessor, Cristovam Buarque, e reivindicou publicamente mais recursos para a pasta. Afirmou que ''todos os ministérios, sem exceção, sentem falta de dinheiro''.
Em palestra ontem para cerca de mil prefeitos, na 7 Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, Tarso convocou os presentes a formarem um ''bloco político'' para pressionar não só o Congresso, mas o próprio governo, por mais verbas para o ensino.
''Os recursos públicos no Brasil são escassos para as tarefas que nós temos. Então, é óbvio que os recursos que vão para a educação são disputados também pela saúde, são disputados pela infra-estrutura'', disse. ''Temos que criar um grande movimento político capaz de dar sustentação à visão de que todos os outros setores da administração pública terão escasso sucesso se o centro desse processo não estiver na questão da educação.''
Mais tarde, Tarso negou qualquer desavença com a área econômica. ''Se vocês querem uma crise com a equipe econômica, não é comigo. Tenho uma relação muito boa com a equipe econômica'', disse ele, em entrevista.''Entendo que a Fazenda exerce uma função fundamental neste governo. Agora isso não me exime de dizer que a educação é fundamental, que ela precisa de mais recursos.''
O desgaste de Cristovam com o governo começou após as cobranças públicas do então ministro por mais verbas. Num dos episódios que ajudaram a selar sua saída, ele sugeriu a estudantes que protestassem na frente do Congresso. Deixou o cargo demitido por telefone.

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