Porto Alegre, 08 (AE) - O Partido dos Trabalhadores deve contar, a partir de agora, com mais uma tendência nas discussões partidárias. Centenas de filiados ao PT aderiram, no sábado à tarde, a um movimento criado para "renovar o partido"
segundo seus organizadores. Informalmente chamada de Rede, o grupo quer modificar as relações políticas internas, retomar a discussão de um projeto socialista e combater a burocracia na legenda.
O movimento foi idealizado pelo ex-prefeito da capital gaúcha Tarso Genro. Segundo ele, a idéia não é criar outra corrente do PT, mas sim, estimular o debate entre os vários segmentos do partido. O lançamento regional atraiu mais de cinco grupos, entre moderados e radicais, que esgotaram as 700 fichas de adesão oferecidas no primeiro encontro. Tarso disse que a Rede é uma alternativa de relacionamento interno e "vai produzir orientações, não determinações". A deputada estadual Maria do Rosário (RS), também integrante do movimento, afirmou que "existe um bloqueio entre as instâncias e o partido quer superar as limitações". A Rede deverá promover um encontro nacional em setembro.
A força do novo movimento poderá ser medida em breve, na renovação do comando petista, em novembro. Apesar de ser recente - houve uma apresentação nacional na sexta-feira -, os organizadores da Rede estimam que a próxima direção não poderá ser escolhida sem seu aval. "A Rede é muito importante e vai ter de ser considerada para definir o próximo presidente", afirmou Tarso, sem precisar a força que o grupo já reúne.
Tarso é contra a permanência de José Dirceu na presidência do PT por um terceiro mandato. Ele disse que não tem a intenção de disputar o cargo, mas acrescentou que a Rede ainda não discutiu nomes para esta posição. Os deputados Arlindo Chinaglia (SP) e Virgílio Guimarães (MG) fazem parte do novo movimento.

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