São Paulo, 15 (AE) - As tarifas telefônicas na América Latina são um dos fatores que mais estão inibindo o comércio exterior da região. Estudo da Alexis de Tecqueville Institution (ADTI), em Arlington (EUA), citado no site do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mostra como a competitividade é prejudicada não só por questões salariais e de produtividade mas também pelos regimes tarifários praticados no países latinoamericanos.
Para provar essa tese, a ADTI fez uma pequena simulação sobre o "via-crucis" do pequeno exportador na América Latina. O estudo imagina um fabricante de louças decoradas manualmente nos Estados Unidos que quer vender a sua produção para uma rede de lojas britânica de artigos do lar.
Para fechar a exportação, o fabricante teria de fazer cinco ligações internacionais a Londres com duração total de 20 minutos. O custo dessa comunicação, até fechar o negócio, hoje seria de US$ 5,40.
No Brasil, com as tarifas vigentes desde abril de 1997, o mesmo exportador teria de pagar no mínimo US$ 20,00. Na Cidade do México, outro fabricante de louças similares com intencões de vender seus produtos para o mesmo mercado britânico, fazendo a mesma quantidade de ligações e com a mesma duração, pagaria US$ 25,20.
Desde o Peru, a comunicação para o mesmo indivíduo teria custado US$ 31,20; da Bolívia, US$ 43,60; e da Venezuela, US$ 53 60, quase dez vezes mais do que o exportador norte-americano teria pago nos EUA.
"Diante desse custos, os pequenos empresários latinoamericanos terão, provavelmente, de fazer menos ligações a potenciais clientes no Exterior, correndo o risco de perder oportunidades diante de seus concorrentes em países onde as tarifas telefônicas são mais baratas", diz o estudo da ADTI.
As altas tarifas telefônicas sempre "inflaram" os custos dos negócios e inibiram as relações com o Exterior, acresenta o estudo.
A ADTI diz ainda que, durante a última década, quase todos os governos da região tomaram medidas para melhorar os serviços telefônicos. "Muitos deles o fizeram privatizando as suas empresas e fixando prazos para introduzir a concorrência no setor.
Há dois anos, 20 países da América Latina assinaram um acordo nesse sentido, mas o problema persiste." O estudo da ADTI mostra também que, na América Latina e o Caribe, as tarifas para ligações locais, medidas em dólares, são, em média, 34% mais baratas do que nos EUA.
Porém, acrescenta o documento, "essa diferença é relativa, porque o ingresso médio per cápita nos países da região é apenas uma fração do recebido nos EUA".
As tarifas locais baixas também se explica, em parte, pela tradição de subsidiar o serviço local com os altos custos cobrados nos serviços de longa distância nacional e internacional. No Chile, México e Argentina - três países que eliminaram essa prática de subsídios cruzados - as ligações locais são tão ou mais caras que nos EUA.
O estudo conclui que, para as pessoas que usam muito o telefone para ligar ao Exterior ou usam a Internet, a América Latina não é um bom lugar. Um gráfico do estudo mostra que o custo médio de 1,5 mil minutos em ligações locais, 240 minutos de ligações de longa distância nacional, cinco ligações de 4 minutos cada uma a Londres e 30 horas de acesso à Internet nos EUA custaria US$ 78,97, menos de 1/3 do que teriam de pagar os consumidores nos 17 países latinoamericanos e do Caribe.
Segundo o estudo, o acesso à Internet na América Latina continua sendo mais caro do que nos EUA, onde um internauta paga uma mensalidade de US$ 20,00 por acesso limitado. Enquanto os norteamericanos pagam uma modesta tarifa única por ligações locais necessárias para se conectar à Internet, na maiora dos países da América Latina as ligações locais é cobrada por minuto ou por pulso, um custo que é somado ainda à tarifa de acesso à Internet.

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