Tarifas e combustíveis ameaçam vendas para Dia dos Pais
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 2 (AE) - Os reajustes nas tarifas e nos preços dos combustíveis ocorridos nos últimos meses enfraqueceram o ritmo de recuperação das vendas do comércio em julho e poderão prejudicar o faturamento do Dia dos Pais. Previsões mais otimistas dos lojistas apontam para um crescimento das vendas de 10% em relação a julho de 98. Mas não está descartada a possibilidade de aumento de 3% a 5%, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
No mês passado, a ACSP recebeu 1.493 consultas para venda a prazo, 9,1% acima de julho de 1998 e 4,2% abaixo de junho. "Normalmente de junho para julho as vendas empatam", diz o economista da entidade, Emílio Alfieri.
Ele destaca que o ritmo de recuperação das vendas perdeu fôlego. Em maio, no início da recuperação, as consultas para vendas a prazo foram 1,6% superiores às do ano anterior; em junho, o índice de crescimento foi de 18,8% em relação a 1998.
"O tarifaço drenou parte da renda disponível que seria usada para o consumo e enfraqueceu a perspectiva de recuperação para o segundo semestre", afirma Alfieri.
Movimento semelhante ao das vendas a prazo ocorreu com os negócios à vista. Julho fechou com 1,518 milhão de consultas ao Telecheque, número 6,6% menor que o de julho de 1998, de acordo com a ACSP. Em maio, as vendas à vista haviam caído 11,7% na comparação a igual período do ano passado e recuado só 2% junho.
A perspectiva é que as vendas à vista, de menor valor, reajam com o Dia dos Pais. Segundo a ACSP, o aumento ficará entre 3% e 5% na comparação com a mesma data de 1998. Sem o tarifaço, o aumento poderia chegar a 10%, diz Alfieri. O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers, que reúne os donos de 148 shoppings, Paulo Stewart, também prevê acréscimo de 5% nas vendas para este mês.
Já o presidente da Alshop, Associação dos Lojistas de Shoppings, Nabil Sahyoun, está mais otimista e calcula um acréscimo de 10% no faturamento das lojas de shoppings por ocasião do Dia dos Pais em relação ao obtido no ano passado. "O frio continua e, a cada ano, cresce o número de lojas com produtos voltados para homens."
Sahyoun destaca que no fim de semana ocorreu alguma movimentação por conta da data. As vendas nas lojas de artigos masculinos cresceram 20% ante o fim de semana anterior, enquanto nas demais o acréscimo oscilou entre 3% e 5%. A perspectiva é que as vendes deslanchem a partir da quinta-feira.
Para fisgar o consumidor que está com orçamento apertado nas últimas semanas, cerca de 12 shoppings da Grande São Paulo ampliaram em 12% as verbas de marketing e prêmios para o Dia dos Pais. Ao todo, esses centros comerciais gastarão R$ 2,840 milhões.


