Tarifas dificultam recuperação no 2º semestre
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 25 (AE) - A alta das tarifas de energia elétrica e telefone e o reajuste de 10% no preço da gasolina, anunciado nesta semana, poderão tornar mais difícil a recuperação do nível de atividade econômica esperada para o segundo semestre. Com o orçamento ainda mais apertado por causa desses reajustes nas despesas essenciais, sobra menos renda no bolso do consumidor para ir às compras, o que puxariam a recuperação de produção.
A avaliação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Heron do Carmo. Ele pondera que esse efeito negativo poderá ser revertido se o governo compensar os reajustes com redução nos juros e ampliação do crédito.
O economista refez a projeção inicial de que o IPC de junho seria zero para deflação de 0,10%, apesar do reajuste das tarifas e dos combustíveis. A revisão do IPC de junho ocorreu após constatar deflação de 0,28% na terceira quadrissemana do mês, um recuo maior que o esperado (-0,20%).
Mais uma vez os alimentos foram os responsáveis pela retração e continuaram caindo 1,62% no período. Além disso, os serviços ficaram estáveis ou caíram na terceira prévia do mês, contribuindo para a deflação. O aluguel recuou 0,33% no período, depois de ter caído 0,30% na semana anterior.
Gasolina - "O impacto mais significativo da alta da gasolina será no mês que vem", diz Heron, que prevê inflação de 0,70% para julho. O reflexo do reajuste da gasolina e do gás de cozinha no IPC será de 0,40 ponto porcentual. Os dois produtos pesam 3,3% no IPC. Neste ano a gasolina acumula alta de 16,18% e o gás de cozinha, de 18,38%.
Se o reajuste da gasolina chegar a 14%, o impacto será de 0,50 ponto porcentual no índice de julho, que subirá para 0 80%, observa o coordenador do IPC. No mês que vem os preços dos alimentos deverão ficar estáveis. O álcool já começa a apresentar tendência de alta, mas no ano os preços já caíram 20 23%.
Heron aposta num índice de 0,30% para agosto, ante projeção inicial de 0,20%, por conta de reajuste das tarifas de água e esgoto ainda não anunciado. A estimativa não considera o risco de geadas que poderão puxar para cima os preços dos alimentos e a possibilidade de alta de 9% para os ônibus, o que teria impacto de 0,31 ponto porcentual no IPC.
Para o ano, Heron mantém a projeção de um IPC entre 5% e 6%, apesar dos aumentos anunciados, porque a retração de outros grupos de preços, como o vestuário, compensarão os reajustes. O primeiro semestre deverá fechar com variação de 2,49% no IPC, apesar da desvalorização do real. "É ironia do destino", diz, destacando que o IPC acumulado no segundo semestre deverá ficar muito próximo do primeiro ou até maior, se o IPC no ano for de 6%.


