São Paulo, 30 (AE) - A retomada das vendas do comércio, esperada para o segundo semestre, está sendo mais lenta que o previsto, apesar da temporada de liquidações e da redução dos juros do crediário feita de forma promocional pelos grandes magazines nas últimas semanas.
Os números da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) confirmam a tímida reação do comércio, puxada pelo crediário. Entre os dias 1º e 29 de agosto, foram registradas 55.382 consultas diárias para venda a prazo, um volume 3,1% maior que em agosto do ano passado. Já a média diária de registros recebidos para venda à vista recuou 8,7% no mesmo período.
"A recuperação está mais lenta por causa do tarifaço e das incertezas em relação à evolução do dólar", afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Na sua avaliação, a única fonte de crescimento das vendas na conjuntura atual é o crediário, porque a massa de salários está em queda, o que restringe o pagamento à vista.
O economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp), Fábio Pina, diz que a retomada do consumo por meio do crediário é uma saída normal em períodos após a crise. Com o orçamento estourado, o consumidor que precisa do produto tem como única alternativa comprar a prazo, argumenta.
Liquidação - "O efeito da liquidação não apareceu nos números do Telecheque", diz Alfieri, ponderando que, das 26 mil lojas que utilizam o sistema Telecheque, cerca de 20% estão em shoppings, onde as liquidações são mais intensas.
A Associação dos Lojistas de Shopping do Estado de São Paulo (Alshop) informa que a megaliquidação de inverno, encerrada no domingo, garantiu aos lojistas um crescimento médio de 8% no faturamento em relação ao mesmo evento do ano passado. "O resultado ficou dentro das expectativas", afirma o presidente da entidade, Nabil Sahyoun.
As 15.380 lojas que participaram da liquidação conjunta ofereceram descontos de até 60% sobre o preço de etiqueta e tinham a expectativa de vender entre 6% e 8% mais que em igual período do ano passado.
O Ibirapuera, por exemplo, superou a meta do setor e faturou na liquidação deste ano 11,7% mais que na liquidação de inverno de 1998. A expectativa inicial era de um incremento de 10% no volume de negócios, informa a diretoria do shopping, que reúne 504 lojas.
Na avaliação do presidente da Alshop, dois fatores contribuíram para que as metas fossem atingidas. O primeiro foi o frio intenso que marcou o período inicial da liquidação. Outro motivo apontado por Sahyoun foi o recuo dos juros, com grandes redes de lojas fazendo promoções, como, por exemplo, a Casas Bahia que decidiu cortar em 3,6 pontos porcentuais a taxa para os eletrodomésticos da linha branca e telefones celulares.
A Vila Romana e a VR, lojas especializadas em moda masculina que pertencem ao Grupo Sellinvest, faturaram até agora 20% com a liquidação em relação ao mesmo evento do ano passado. De acordo com o diretor Comercial da holding, Alexandre Brett, em agosto de 1998, o País enfrentava um crise pior que a atual, por isso a base de comparação é fraca.
Apesar de ter atingido as metas previstas, Sahyoun destaca que ainda existem lojas que estão prorrogando a liquidação por conta própria. Ele calcula que 20% das lojas estão adotando esse procedimento para se livrar dos estoques de inverno. "É difícil dizer se os estoques foram zerados."
A prazo - O consumidor que aproveitou para comprar na época de liquidação optou pelo pagamento parcelado, o que reforça os indícios de que o seu orçamento continua apertado. Segundo Brett, o pagamento a prazo, em até quatro vezes sem juros, respondeu por 70% do volume de negócios das suas lojas.
O presidente da Alshop confirma a tendência e informa que 70% dos negócios das lojas de shopping foram pagos com cheque pré-datado e no cartão de crédito, que também dá possibilidade de parcelamento.

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