Curitiba – A Prefeitura de Curitiba anunciou ontem os novos valores das passagens de ônibus na Capital. A partir da zero hora de sexta-feira, a tarifa passará dos atuais R$ 2,85 para R$ 3,15, no caso de usuários que utilizam o cartão-transporte, o que significa um acréscimo de 10,5%. Já para quem pagar em dinheiro, o reajuste será ainda maior, de 15,79%, para R$ 3,30. Apresentada pela administração municipal como um sinal de modernidade, a cobrança diferenciada é contestada pelo Procon-PR e pelo Ministério Público (MP) do Estado, que devem se reunir hoje para analisar a questão.
O preço vigente entrou em vigor em março de 2013. Em julho daquele ano, após protestos eclodirem pelo País, o prefeito Gustavo Fruet (PDT) reduziu a passagem para R$ 2,70. Em novembro de 2014, porém, o valor antigo foi retomado. Segundo o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Roberto Gregório, a correção não recompõe sequer a inflação dos últimos dois anos, de aproximadamente 12%. Ele disse que a gestão pedetista ainda terá de assumir integralmente o pagamento do subsídio das linhas urbanas, de R$ 2 milhões por mês. Já o subsídio do Governo do Estado cairia, conforme cálculos da Urbs, de R$ 7,5 milhões por mês em 2014 para cerca de R$ 7 milhões por mês neste ano.
"É importante que toda a sociedade entenda que o momento é muito difícil, porque envolve uma negociação árdua. Agora, não é possível acreditar que o aumento de custos não vai se refletir no aumento das tarifas. Nós temos que remunerar as empresas. Subiu o combustível, o custo dos pneus e assim por diante", argumentou. Gregório lembrou que, legalmente, "o transporte intermunicipal é de responsabilidade dos estados".
O presidente da autarquia também ponderou que, desde 2013, os salários dos motoristas e cobradores, cujo peso é de quase 50% na tarifa, tiveram reajuste médio de 20%. Isso sem contar 2015, já que as partes seguem negociando. Ou seja, existe até mesmo a possibilidade de haver um novo aumento. "Os nossos cálculos consideraram a variação do INPC. Acredito que é o momento de todos colaborarem. Mas, se houver uma decisão judicial que extrapole muito o INPC, será necessário, sim, transferir esse custo adicional para a tarifa", argumentou. Ontem à tarde, pelo menos 500 pessoas protestaram no Centro de Curitiba contra o aumento da passagem. Uma nova manifestação está marcada para amanhã.
Quanto à possibilidade de haver diferença de preço entre as linhas da Capital e da Região Metropolitana, Roberto Gregório alegou que essa questão tem de ser discutida pela Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão, ligado ao Governo Estadual, disse que vai trabalhar para manter ao máximo a integração física e operacional, mesmo em caso de haver uma tarifa diferenciada. Amanhã, a Comec realiza uma reunião com os 13 prefeitos dos municípios que, ao lado da Capital, compõem a Rede Integrada de Transporte (RIT). Assim, o posicionamento oficial da entidade deve ser anunciado apenas na sexta-feira.

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