Curitiba- O curitibano já está gastando mais para andar de ônibus na cidade. A tarifa do transporte coletivo passou R$ 1,65 para R$ 1,70. Na avaliação dos usuários, o reajuste, que entrou em vigor hoje, vai prejudicar o orçamento doméstico.
A educadora social Vanderléia Dias de Aguiar, 34 anos, acha que o reajuste não foi tão alto. ''O problema é que o nosso salário não sobe'', disse. Ela utiliza o transporte coletivo para ir ao trabalho e tem o gasto com o transporte do filho até o colégio.
Everton Fagundes, 19, que está desempregado, classifica o reajuste como ''uma vergonha''. ''Veja quantos ônibus que circulam na cidade. Eles já têm bastante lucro''. Já a estudante de Administração, Naiana Moro, 19, acha justo o reajuste. ''Eles têm que fazer isso para aumentar os salários dos motoristas e cobradores'', acredita.
Outros usuários foram pegos de surpresa. ''Vai subir?'', pergunta a educadora Inês Chinque, 52, no último dia de tarifa a R$ 1,65. ''Ainda bem que não foi hoje (ontem), pois a gente sai com o dinheiro contadinho'', comentou.
O anúncio do reajuste foi feito pela Prefeitura de Curitiba na última sexta-feira. Como ainda não há acordo com a Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec), órgão vinculado ao governo do Estado, quem pega ônibus nos municípios da região ainda vai pagar a tarifa antiga. Os valores pagos vão para a Urbs e para a Comec em separado. As negociações entre a prefeitura e a Comec, segundo o prefeito Cassio Taniguchi (PFL), ainda são no sentido de se adotar a tarifa de equilíbrio, que seria de R$ 1,90.
O presidente da Comec, Alcidino Pereira, disse que já estava sendo negociada com prefeitura um valor de R$ 1,80 para toda a rede e que a prefeitura se preciptou ao aumentar só na Capital. ''Agora vamos ter que mudar o sistema. E na prática vai acontecer a desintegração, já que os ônibus que entram em terminais pegariam passageiros de graça, segundo a lógica da Urbs.
A Comec vai retomar os estudos para readequar os itinerários de acordo com os desejos do usuário. Vamos analisar empresa por empresa, linha por linha pois uma de nossas preocupações é manter o equilíbrio econômico-financeiro das empresas'', explicou. Pereira afirmou ainda que o reajuste salarial é uma desculpa da Urbs, já que o valor final de R$ 1,80 cobriria esse e todos os outros custos.(Colaborou Andréa Bordinhão).

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