Curitiba - A partir da zero hora de segunda-feira, dia 12, a passagem de ônibus da Rede Integrada de Transporte de Curitiba (RIT) será de R$ 2,20: um aumento de 15,7%. O valor atual, de R$ 1,90, é o mesmo desde abril de 2004. A prefeitura anunciou o reajuste na tarde de ontem. A Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), que administra o transporte coletivo, argumenta que a recomposição da tarifa é necessária para fazer frente aos avanços nos custos dos principais insumos. O anúncio tardio é estratégico para evitar uma corrida dos usuários aos pontos de venda de créditos de passagens.
''A recomposição da tarifa foi a solução necessária para cobrir o avanço dos custos do transporte coletivo, diante dos diversos reajustes dos insumos mais importantes do serviço e, principalmente, pela falta de resposta dos governos estadual e federal, em relação aos pedidos de desoneração de tributos feitos pelo prefeito Beto Richa, com o apoio da Frente Nacional de Prefeitos'', afirmou o diretor de Transporte da Urbs, Fernando Ghignone, em nota publicada no site da prefeitura.
Segundo informações da Urbs, nesse período de quase cinco anos, o óleo diesel - que representa um quarto do preço da tarifa - teve reajustes que somam 52,2%. Também pesou na recomposição da tarifa, o reajuste acumulado de 31,68% no salário dos motoristas e cobradores, além do aumento de 47,87% no preço médio dos ônibus.
A nova tarifa de R$ 2,20 valerá de segunda-feira a sábado. Aos domingos, a tarifa continuará sendo de R$ 1,00: valor que vigora desde janeiro de 2005. A linha Circular Centro passará de R$ 1,00 para R$ 1,20. A Linha Turismo terá o valor reajustado, já neste domingo, de R$ 16,00 para R$ 20,00.
Entre as capitais do Sul, a tarifa de ônibus em Curitiba passa a ser a mais cara. Em Porto Alegre, a passagem custa R$ 2,10 e, em Florianópolis R$ 1,98 (para quem usa o cartão transporte). Para os catarinenses que pagam em dinheiro a tarifa é de R$ 2,50.
Em nota, o governo do Estado informou que não autorizou o aumento na tarifa no transporte metropolitano, o que seria de competência da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). A Urbs teria entregado as planilhas de custo somente na tarde de ontem e fixado unilateralmente o novo valor. Ainda de acordo com a nota, o Estado retomará os estudos para reduzir a tributação que incide sobre o valor do combustível dos ônibus.
O reajuste da tarifa de ônibus da RIT não passa mais pelo aval da Câmara Municipal de Curitiba. É prerrogativa do prefeito aprovar ou não os aumentos. No entanto, o cálculo para a composição do valor da tarifa sempre incomodou e gerou polêmica entre os vereadores de oposição. ''Até hoje, não existiu transparência no cálculo da tarifa. Não há clareza se o custo é mesmo de R$ 2,20'', ponderou a vereadora do PT, professora Josete.
A expectativa da vereadora é que os recém nomeados membros do Conselho Municipal do Transporte cobrem esclarecimentos da Urbs quanto à composição do valor da passagem e possam garantir a participação da população na definição da política tarifária do transporte coletivo.

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